Publicado 07/01/2026 14:17

O candidato Iván Cepeda alerta que os EUA estão tentando influenciar as eleições presidenciais de 2026 na Colômbia.

O candidato à Presidência da Colômbia, Iván Cepeda Castro, dá uma entrevista coletiva na sede da UGT, em 7 de janeiro de 2026, em Madri (Espanha). O senador do Polo Democrático e candidato à Presidência da Colômbia, Iván Cepeda Castro, aborda
Carlos Luján - Europa Press

Ele alerta que a operação militar contra Maduro vai além da “derrubada de um ditador” MADRID 7 jan. (EUROPA PRESS) -

O senador e candidato presidencial pelo Pacto Histórico, Iván Cepeda, alertou nesta quarta-feira que o governo de Donald Trump está tentando influenciar as eleições de maio de 2026 com o apoio da extrema direita de seu país, como já vem ocorrendo em outros processos eleitorais da região.

“Lançamos claramente um alerta de que o governo dos Estados Unidos está tentando influenciar por todos os meios possíveis nossas eleições”, afirmou o candidato presidencial na apresentação de sua campanha nesta quarta-feira na sede da UGT em Madri. “Eles estão fazendo isso lançando afirmações e tomando medidas que buscam influenciar claramente a opinião pública colombiana e a maneira como ela não deve se comportar eleitoralmente”, afirmou.

Cepeda argumentou que, caso contrário, não se explica por que razão, durante o último ano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem acusado sem provas o seu homólogo colombiano, Gustavo Petro, de narcotraficante, quando “tem sido líder na região na luta contra as estruturas criminosas e os narcotraficantes”.

“Já houve um nível significativo de intervenção (...) ameaçando o governo, criando a possibilidade de que ocorra uma situação semelhante à da Venezuela”, disse Cepeda, que criticou a extrema direita colombiana por incentivar esse tipo de retórica, chegando até mesmo a aplaudir uma possível intervenção.

“Uma estratégia que, temos que dizer, conta com o respaldo, o apoio e o estímulo claramente da extrema direita. E, concretamente, devo dizer do ex-presidente Álvaro Uribe”, enfatizou o candidato, que manteve nos últimos anos um longo processo judicial com o ex-chefe de Estado.

Cepeda questionou como é possível que os Estados Unidos estejam “tão preocupados com a luta contra o narcotráfico” se contam com o apoio de políticos como Uribe, “que construiu parte de seu poder econômico associando-se a clãs do narcotráfico como os Escobar, os Ochoa, os Gallón Henao ou os Cifuentes Villa”.

“Isso não merece um comentário do presidente Trump ou de seu secretário de Estado, Marco Rubio?”, questionou Cepeda, que aproveitou para lembrar que foi o próprio presidente americano quem, após a captura de Nicolás Maduro, disse “de forma clara e totalmente franca”, embora também “cínica”, que a única coisa que lhe interessa na Venezuela é o petróleo.

Da mesma forma, questionou a luta contra o narcotráfico que a Casa Branca tem usado para justificar a intervenção na Venezuela, ressaltando que, após a operação, as estruturas do narcotráfico passaram de organizações terroristas a simples grupos criminosos, em alusão ao Cartel dos Soles.

“Tudo isso faz parte de uma estratégia coordenada”, destacou Cepeda, contemplada em sua estratégia de segurança nacional. “Trump não é um homem desequilibrado, nem um lunático, mas a expressão de uma realidade política que representa a extrema direita”, esclareceu.

“Exigimos que haja respeito à nossa liberdade, independência e soberania e exigimos que seja respeitado nosso chefe de Estado, que representa o povo e a nação colombiana”, enfatizou. INTERVENÇÃO MILITAR NA VENEZUELA

Cepeda apontou que a intervenção militar para capturar o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, vai além do derrubamento de um líder político, faz parte desse plano de segurança nacional com o qual pretende “derrubar toda a ordem internacional, a soberania dos Estados e o Direito Internacional”.

“Essa intervenção não deve ser vista de forma simplista como a derrubada de um ditador, como querem apresentar. (...) É a aplicação rigorosa de uma política” com a qual os Estados Unidos voltam “a considerar o hemisfério ocidental como um território que está sujeito aos seus interesses e propósitos estratégicos”, alertou o senador colombiano.

“Nesse mesmo corolário surge a ideia de que os Estados Unidos se reservam a possibilidade de tomar medidas para dispor dos recursos naturais de qualquer país. Nesse mesmo corolário, exige de seus ‘aliados’ que mantenham relações que não ponham em risco a hegemonia norte-americana”, observou.

“São impostas limitações estritas aos governos soberanos do nosso hemisfério, com quem devem manter relações políticas, econômicas e diplomáticas. Porque o limite, segundo esse corolário, é que não discutam, não concorram com a hegemonia natural dos Estados Unidos”, acrescentou o candidato. ADVERTÊNCIA ÀS FORÇAS DEMOCRÁTICAS

Junto com Cepeda, a senadora María José Pizarro também participou da campanha e alertou que o que aconteceu nos últimos dias na Venezuela é um aviso às forças democráticas de qualquer signo político da região, como mostra o revés sofrido pela oposição venezuelana.

Assim, ela destacou que por trás do que aconteceu “há simplesmente um interesse pelos recursos naturais e por uma hegemonia que busca se reinstalar”, não apenas na América Latina, disse ela, mas também na Europa, “que hoje também está sob ameaças de intervenção na Groenlândia”.

“Podem ter certeza de que isso vai se intensificar cada vez mais”, avaliou Pizarro, que alertou para a necessidade de defender os espaços e as instituições democráticas em todo o mundo que surgiram após a Segunda Guerra Mundial com o objetivo de fazer prevalecer a paz. “Essas instituições também estão sendo ignoradas. Vocês viram a intervenção do secretário de Estado Marco Rubio após a sessão do Conselho de Segurança das Nações Unidas, 'não nos importamos com o que dizem as Nações Unidas', e isso deveria ser lido com muita atenção por todos”, disse ele.

“Qualquer pessoa que defenda a democracia, que defenda a paz e que defenda a possibilidade de construir relações muito mais horizontais deve se sentir alertada pelo que está acontecendo (...) não é um delírio emocional de um presidente, mas a doutrina de uma nação”, enfatizou, citando Cepeda.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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