Publicado 29/06/2025 23:06

A candidata comunista Jeannette Jara vence as primárias oficiais para as eleições presidenciais do Chile.

Jara lembra Allende e promete um Chile independente e multilateralista, comprometido com os direitos humanos

Político comunista enfrentará Kast, de extrema-direita, e Matthei, de direita

Ex-Ministra do Trabalho e candidata presidencial da Unity for Chile, Jeannette Jara
MINISTERIO DE TRABAJO Y PREVISIÓN SOCIAL DE CHILE

Jara lembra Allende e promete um Chile independente e multilateralista, comprometido com os direitos humanos

Político comunista enfrentará Kast, de extrema-direita, e Matthei, de direita

MADRID, 30 jun. (EUROPA PRESS) -

A ex-ministra do Trabalho do Chile e candidata comunista, Jeannete Jara, venceu as eleições primárias oficiais e liderará a candidatura da coalizão do governo, Unidade pelo Chile, nas eleições presidenciais de novembro próximo.

"Hoje começa um novo caminho que percorreremos juntos, com a convicção de construir um Chile mais justo e democrático", anunciou Jara na rede social X após saber de sua vitória. "Diante da ameaça da extrema direita, respondemos com unidade, diálogo e esperança", acrescentou.

Com 99,71% dos votos apurados, Jara emergiu como a clara vencedora, conquistando mais de 60% dos votos, em comparação com os 28% de sua principal rival, a representante do partido de centro-esquerda Socialismo Democrático, Carolina Tohá. Atrás dela estavam o candidato da Frente Ampla - o partido do atual presidente, Gabriel Boric - Gonzalo Winter, com 9%, e o candidato da ecologista Federação Verde Social Regionalista, Jaime Mulet, de acordo com o Serviço Eleitoral do Chile.

Em suma, foi uma eleição primária com um comparecimento marcadamente baixo, atingindo apenas 10% em comparação com 12% em 2021 ou 16% em 2013.

JARA, ABRAÇADA POR SEUS CONCORRENTES, LEMBRA-SE DE ALLENDE

Em um discurso precedido por um longo abraço com os candidatos Tohá e Winter, a nova candidata presidencial da Unidade pelo Chile agradeceu seus concorrentes nas eleições e lembrou o ex-presidente Salvador Allende, deposto pelo golpe de Pinochet, por seus serviços prestados ao Chile, de acordo com o jornal chileno El Mercurio.

Jara também falou sobre o atual presidente, Gabriel Boric, que "mostrou que aqueles que estão no poder devem descer do pedestal", e sobre a ex-líder Michelle Bachelet - com quem ele foi comparado por causa de suas maneiras e discurso - porque "ela nos mostrou que nada é impossível".

Além disso, o comunista abordou a política externa do país e rejeitou um "Chile subordinado a governos estrangeiros ou a modelos externos", e prometeu manter, no caso de uma nova vitória em novembro, "uma política internacional baseada na independência e no multilateralismo, defensora dos direitos humanos em qualquer lugar do mundo em que eles sejam violados, de acordo com o que tem sido nossa tradição como Estado". "Continuaremos a ser um país livre, independente e soberano", enfatizou.

PARABÉNS DE BORIC E DOS TRÊS CANDIDATOS

Por sua vez, Boric parabenizou Jara através de X "pelo enorme apoio obtido hoje". "O que está por vir não será fácil, mas Jeannette conhece as batalhas difíceis", enfatizou.

Além disso, o presidente chileno expressou seu "eterno respeito" pelos outros três candidatos e conclamou "todos nós juntos a trabalhar pela unidade, com carinho e amplitude para convocar a maioria de nossos compatriotas a continuar construindo um país mais justo, mais seguro e mais feliz".

Após a vitória do candidato comunista, Tohá admitiu que os resultados foram "tristes e decepcionantes", mas garantiu que já havia parabenizado Jara e reafirmado seu compromisso com "um pacto que obviamente vamos cumprir, não apenas na forma, mas também na substância", em declarações relatadas pela estação de rádio universitária Radio UChile.

Tohá foi a pessoa com quem Jara teve os maiores conflitos. Enquanto o vencedor das primárias criticou o desempenho do ex-ministro como chefe do Ministério do Interior, o candidato de centro-esquerda chegou a dizer: "Não sou a favor de que o Partido Comunista governe o país".

Por sua vez, Winter parabenizou a vencedora em sua conta no X e garantiu que "a partir de hoje ela tem o apoio total da Frente Ampla: seus prefeitos, vereadores, líderes e, é claro, esta deputada". Enquanto isso, Mulet parabenizou Jara por sua vitória e os outros dois candidatos por seu trabalho, por meio da mesma plataforma.

O PRIMEIRO OBJETIVO PARA NOVEMBRO, ACRESCENTAR MEMBROS À COALIZÃO

A vitória de Jeannette Jara significa que, pela primeira vez desde a transição para a democracia após a ditadura de Augusto Pinochet, os partidos tradicionais de centro-esquerda se alinharão atrás de um candidato comunista em uma disputa pelo palácio presidencial La Moneda. Nas eleições, marcadas para 16 de novembro, a coalizão governista enfrentará a candidata do tradicional partido de direita Chile Vamos, também ex-ministra do Trabalho, Evelyn Matthei, e o próprio fundador do Partido Republicano de extrema direita, José Antonio Kast.

Um dos desafios mais imediatos que Jara enfrentará após sua vitória nas primárias será convencer o partido Democracia Cristã a não apresentar outra candidatura e a se juntar à sua coalizão.

"Vou ter que fazer um grande esforço para convocar os democratas-cristãos e espero poder chegar a esse programa que será unido e de toda a centro-esquerda chilena", disse ele antes mesmo de saber de sua vitória, em declarações relatadas pelo jornal 'La Tercera'. "Queremos construir um programa que não represente apenas a nós. Estou concorrendo para ser presidente do Chile e para representar uma coalizão unida nisso".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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