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MADRID 4 jun. (EUROPA PRESS) -
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira uma lei destinada a obrigar o presidente do país, Donald Trump, a pôr fim à guerra contra o Irã, num revés para a Casa Branca apoiado por quatro membros do Partido Republicano que se juntaram à bancada democrata com o argumento, entre outros, de que o conflito é ilegal sem a aprovação explícita do Congresso.
No total, segundo a CNN, foram 215 os deputados que, contra 208 votos contrários, permitiram a aprovação da medida, incluindo os republicanos Brian Fitzpatrick (Pensilvânia), Tom Barrett (Michigan), Warren Davidson (Ohio) e Thomas Massie (Kentucky), uma das vozes mais proeminentes contra o magnata nova-iorquino entre os que permanecem na linha de frente do Partido Republicano, embora em maio passado sua oposição a Trump tenha lhe custado a candidatura para as eleições de meio de mandato — as “midterms” —, depois que o presidente apoiou Ed Gallrein.
"As pessoas estão fartas disso. Estão fartas de que a gasolina custe cinco dólares o galão (1,14 euros o litro) e o diesel seis dólares (1,37 euros o litro), e de não podermos nos dar ao luxo de colocar fertilizante em nossos campos no Kentucky”, destacou Massie em declarações coletadas pela CNN após uma votação que, segundo ele, “envia uma boa mensagem: que a Câmara do povo, que representa o povo, está farta desta guerra”.
Barrett, por sua vez, alegou que “as pessoas estão frustradas” com as consequências da guerra, enquanto Fitzpatrick argumentou que “há uma lei em vigor”, em alusão à Lei dos Poderes de Guerra. “Não vejo onde está a dificuldade. Que seja apresentada ao Congresso, debatida em profundidade e submetida a votação. É assim que o sistema deve funcionar”, argumentou.
Por outro lado, Davidson se mostrou a favor da guerra, que descreveu como “missão justa”, mas defendeu o processo de autorização para o uso da força militar a fim de “proporcionar” ao Exército dos Estados Unidos “a orientação estratégica necessária para cumprir seus objetivos e a certeza de que contam com o apoio do Congresso e do povo”, conforme expressou nas redes sociais.
Do lado democrata, o líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, destacou que “a guerra imprudente e cara que Donald Trump escolheu custou aos americanos comuns centenas, senão milhares, de dólares a mais em custos adicionais, particularmente no que diz respeito aos preços da gasolina”. "Esta guerra imprudente e cara deve terminar hoje", acrescentou, conforme noticiado pelo site de notícias The Hill.
O projeto, impulsionado pelo deputado Greg Meeks (Nova York), o democrata de maior hierarquia no Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes, baseia-se em grande parte na Lei dos Poderes de Guerra. Citando-a, a proposta ordena que Trump retire todas as forças americanas “das hostilidades” com Teerã, “a menos que estejam explicitamente autorizadas por uma declaração de guerra ou uma autorização específica do Congresso para o uso da força militar contra o Irã”.
A resolução é denominada “conjunta”, o que significa que requer a aprovação de ambas as câmaras, mas não segue para a Casa Branca para assinatura ou veto do presidente. A Casa Branca, por sua vez, rejeitou a resolução de Meeks por motivos legais, classificando-a como um “veto legislativo inconstitucional” sobre a autoridade executiva.
O governo também critica a medida, argumentando que o conflito terminou “com o cessar-fogo ordenado pelo presidente em 7 de abril de 2026”, apesar dos ataques registrados desde então e da manutenção do contingente militar americano. “Não há hostilidades atuais das quais retirar as Forças Armadas dos Estados Unidos”, escreveu a Casa Branca no mês passado em uma declaração de política administrativa em resposta ao texto promovido por Meeks, divulgada pelo The Hill.
A aprovação deste texto representa um marco significativo na batalha política pela guerra contra o Irã, após três tentativas frustradas na Câmara dos Representantes de interromper um conflito que, após mais de três meses, trouxe graves consequências econômicas em nível mundial, especialmente no mercado energético e na disponibilidade de fertilizantes. O fim da guerra, além disso, não parece claro em um momento em que, apesar de Trump ter alegado que um acordo poderia ser alcançado ainda neste fim de semana, as trocas de ataques entre os Estados Unidos e o Irã registraram um recrudescimento nos últimos dias.
O texto será agora encaminhado ao Senado, onde o Partido Democrata já conseguiu, em ocasiões anteriores, aprovar resoluções semelhantes e onde a Casa Branca também perdeu apoio em suas fileiras: no mês passado, a Câmara Alta aprovou sua própria resolução para frear a campanha militar no Irã depois que o senador Bill Cassidy mudou o sentido de seu voto poucos dias após Trump ter contribuído para sua derrota nas primárias republicanas da Louisiana.
No entanto, não está claro quando essa medida será submetida à votação final e, de qualquer forma, trata-se de uma resolução “conjunta”, que seria encaminhada ao gabinete de Trump e somente após sua assinatura — claramente improvável — teria força de lei.
De qualquer forma, a tendência negativa do apoio a Trump nas fileiras republicanas não se limita à guerra no Oriente Médio: cada vez mais congressistas manifestam sua oposição ou discordância com medidas impulsionadas pelo inquilino da Casa Branca, como o projeto multimilionário para um salão de baile na sede presidencial ou o fundo bilionário de indenização a supostas vítimas da “instrumentalização” da Justiça em governos anteriores, um plano que, de fato, o Executivo parece ter abandonado, segundo as declarações na véspera do procurador-geral interino, Todd Blanche.
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