Publicado 18/09/2025 00:23

Câmara dos Deputados do Brasil processará com urgência a anistia para os condenados por crimes do golpe

Archivo - Arquivo - O presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Hugo Motta, discursa na sessão plenária após o bloqueio causado por deputados pró-Bolsonaro.
BRUNO SPADA/CÂMARA DOS DEPUTADOS - Arquivo

MADRID 18 set. (EUROPA PRESS) -

A Câmara dos Deputados do Brasil aprovou na quarta-feira um pedido de urgência para a tramitação da lei que concederia anistia aos participantes de protestos e atos violentos desde o início das manifestações contra a vitória eleitoral do atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, em 30 de outubro de 2022, até a data em que ocorreria a hipotética entrada em vigor da norma, incluindo o ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro e os demais condenados por tentativa de golpe de Estado.

A tramitação em regime de urgência da lei de anistia foi aprovada com 311 votos a favor, 163 contra e 7 abstenções. No entanto, não tem um texto definido ou uma data fixa para a votação do projeto de lei, mas pode, portanto, ser votado diretamente no plenário sem passar pelas comissões correspondentes, de acordo com a Agência Câmara de Notícias, o serviço de informações da câmara baixa brasileira.

O presidente da Câmara, Hugo Motta, declarou que nesta quinta-feira será nomeado um responsável para apresentar uma versão do texto apoiada pela maioria dos deputados, em uma situação em que, segundo ele, há diferentes pontos de vista e interesses em relação aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, data dos ataques contra o Palácio do Planalto, sede do Executivo, entre outras instituições, no âmbito da tentativa de golpe de Estado.

"Tenho convicção de que a Câmara será capaz de construir essa solução que busque a pacificação nacional, o respeito às instituições, o compromisso com a legalidade e que considere também as condições humanitárias das pessoas envolvidas nessa questão", disse, após a defesa de Bolsonaro, durante o julgamento por tentativa de golpe de Estado, alegar razões humanitárias para pedir que o ex-presidente cumpra a pena de prisão em casa.

A tramitação dessa lei "não se trata de apagar o passado, mas de permitir que o presente seja reconciliado e que o futuro seja construído com base no diálogo e no respeito", disse o presidente da Câmara dos Deputados, uma das principais faces do Partido Republicano, que fez parte da coalizão de governo de Bolsonaro e apoiou sua reeleição em 2022.

Nesse sentido, o deputado Gustavo Gayer, do Partido Liberal de Bolsonaro, saudou a aprovação. "Depois de dois anos de muita luta e sofrimento, finalmente chegamos a um momento que pode marcar a história do país", disse ele.

Em contraste, o deputado do Partido dos Trabalhadores - ao qual Lula pertence - Lindbergh Farias denunciou que, ao apoiar a anistia, os deputados são "cúmplices de um golpe de Estado em curso" que continua a se intensificar, chamando a votação de uma traição à democracia. "Hoje é um dia de vergonha para o Parlamento, que se agarra à covardia", lamentou.

Henrique Vieira, membro do partido Socialismo e Liberdade na coalizão governamental, também se opôs à anistia, que ele chamou de absurda porque incluiu o ex-presidente Bolsonaro e sete outros membros do alto escalão de seu governo. "Não há pacificação com impunidade, nem anistia para os golpistas", disse ele.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado