Publicado 29/06/2026 08:36

Burnham propõe uma maior descentralização do poder no Reino Unido para impulsionar o desenvolvimento territorial

27 de junho de 2026, Warrington, Cheshire, Reino Unido: Warrington, Reino Unido. Andy Burnham, deputado do Partido Trabalhista por Makerfield, sai de sua casa em Warrington.
Europa Press/Contacto/Ioannis Alexopoulos

MADRID 29 jun. (EUROPA PRESS) -

Andy Burnham, candidato à liderança do Partido Trabalhista e à sucessão de Keir Starmer como primeiro-ministro britânico, afirmou nesta segunda-feira que pretende descentralizar o poder político no Reino Unido e aproximar Westminster das regiões para, dessa forma, promover o desenvolvimento econômico de “todos os códigos postais” britânicos, após denunciar uma cultura excessivamente centralista e dominada pelos interesses dos partidos políticos.

Em seu primeiro grande discurso desde que decidiu se candidatar ao processo interno do Partido Trabalhista após a renúncia de Starmer, Burnham apresentou seu modelo político marcado pela vontade de implementar o “maior reequilíbrio de poder” já visto no Reino Unido, entendendo que é hora de Whitehall, sede do governo britânico, “aceitar que o crescimento não pode ser imposto de cima”.

“Ele só pode ser cultivado a partir de baixo. Ele surge quando se tem poder em nível local para fazer uma diferença real”, afirmou ele, após criticar que, na última década, após o referendo do Brexit, o país dedica “muito tempo a discutir e não o suficiente a agir” e apontar o centralismo como origem dos desequilíbrios econômicos no Reino Unido.

“Se as prefeituras nem sequer conseguem consertar os buracos nas estradas, que chances têm de impulsionar grandes projetos de regeneração urbana que estimulem o crescimento econômico?”, perguntou-se, reiterando sua intenção de oferecer novas oportunidades para ampliar a descentralização na Escócia, no País de Gales e na Irlanda do Norte, “levando o poder ainda mais perto do território”.

Nesse sentido, ele indicou que o escritório “Número 10 Norte”, em referência à Downing Street e com sede na cidade de Manchester, “será o centro nevrálgico de um Reino Unido reconfigurado”. Segundo ele, será a entidade que viabilizará “a redistribuição do poder e dos recursos em todo o Reino Unido”. “Coordenará todas as partes do governo, nos níveis nacional e local, para definir uma estratégia econômica de longo prazo e ajudar todos os territórios a estabelecer novas ambições de crescimento”, destacou.

Burnham, principal favorito para suceder Starmer nas primárias trabalhistas — processo que pode culminar no próximo dia 17 de julho —, citou como exemplo o sistema alemão dos “Länder”, insistindo na necessidade de uma colaboração com as regiões, para que elas conduzam seu próprio modelo, gerem empregos e retenham a população, elevando o poder aquisitivo em todo o país com um horizonte de dez anos.

“Os dias em que Whitehall lutava contra a descentralização do poder para as regiões e nações chegaram ao fim. Para sempre. Passei dez anos lutando contra a burocracia de Whitehall, bloqueando o progresso deste lugar. O progresso das pessoas”, enfatizou, em um discurso no qual pediu para “não deixar tudo nas mãos do mercado” e defendeu “intervir publicamente quando for necessário”.

De qualquer forma, ele negou que essa visão de redistribuição de poder seja prejudicial a Londres, insistindo que a tendência atual “é ruim para todos os lugares”. “É ruim para Londres e para o sudeste. O país inteiro sofre quando as regiões e as nações não atingem seu potencial e os londrinos ficam com uma economia superaquecida e um mercado imobiliário saturado”, argumentou.

MORADIA E DESENVOLVIMENTO URBANO

Como eixo central de seu modelo, o ex-prefeito de Manchester enfatizou que as pessoas devem ter a segurança de “um bom lar e um bom emprego”, “para que possam ser o mais produtivas possível, com boa mobilidade e capacidade de arcar com as necessidades básicas”.

“Não temos proporcionado às pessoas essa estabilidade, essa capacidade de progredir na vida, e é hora de fazê-lo e de devolver a aspiração da classe trabalhadora, a possibilidade de que alguém que cresça aqui possa se tornar tudo o que é capaz de ser”, ressaltou.

Burnham destacou, assim, a construção de moradias públicas “em todas as partes do país”, com base em uma política de “moradia em primeiro lugar”. “Tudo começa com um bom lar. E este país, finalmente, precisa colocá-lo no topo de sua lista de prioridades”, afirmou, para enfatizar a necessidade de impulsionar o comércio local nas comunidades britânicas.

“Em vez de serem um símbolo de decadência, não deveríamos transformar nossas ruas principais no novo símbolo do renascimento do Reino Unido?”, questionou, referindo-se às vias comerciais que atravessam a maioria das cidades britânicas.

Dessa forma, propôs-se, em um prazo de dez anos, reverter um modelo econômico que “desde meados do século XX não tem sido construído pensando nas pessoas comuns”. “Ele deu mais àqueles que já tinham mais e deixou as pessoas pagando a mais pelo básico”, criticou.

E, após citar como exemplo movimentos cooperativos históricos no Reino Unido, Burnham destacou a necessidade de levar o crescimento econômico a “todos os códigos postais”: “Imaginemos um crescimento de qualidade em cada código postal e esperança em cada coração. Pois bem, vamos parar de imaginar: vamos transformar isso em realidade”, resumiu ele ao concluir seu discurso.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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