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MADRID, 23 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, comparou o megajulgamento contra quase 500 supostos membros da Mara Salvatrucha aos Julgamentos de Nuremberg, nos quais foram julgados os principais líderes da Alemanha nazista após a Segunda Guerra Mundial.
Bukele, que rejeitou as críticas a esses processos, destacou em uma mensagem nas redes sociais que “esses 486 terroristas não são pequenos criminosos”. “São líderes de gangues bem conhecidos, a maioria deles já condenada por crimes que cometeram pessoalmente, incluindo assassinatos, estupros, muitas vezes seguidos de assassinato, extorsão e sequestro”, afirmou.
“Este chamado ‘julgamento em massa’ trata dos 47 mil crimes que eles ordenaram, incluindo mais de 29 mil assassinatos comprovados além de qualquer dúvida razoável”, declarou o presidente, que sustentou que “o único aspecto ‘inovador’ é responsabilizar os chefes pelos crimes cometidos por suas organizações”.
Nesse sentido, ele destacou que as autoridades de El Salvador “não inventaram esse princípio”. “Chama-se ‘responsabilidade de comando’ e foi aplicado na Europa durante os Julgamentos de Nuremberg”, observou ele, em resposta às críticas ao processo feitas por Kenneth Roth, ex-diretor da organização não governamental Human Rights Watch (HRW).
“Você também é contra esses julgamentos? Ou você está apenas aplicando a lógica de ‘vale para mim, mas não para você’?”, perguntou Bukele a Roth, que em sua mensagem enfatizou que “um tribunal salvadorenho iniciou um julgamento coletivo lamentavelmente injusto” contra essas pessoas, “em um dos maiores julgamentos em massa no âmbito da repressão de Bukele contra a violência das gangues por meio de controversos poderes de emergência”.
O processo, que se tornou o primeiro julgamento em massa desse tipo contra líderes de uma gangue, neste caso a Mara Salvatrucha (MS-13), abordará milhares de crimes atribuídos ao grupo, entre eles ordens de assassinato contra pelo menos 87 pessoas apenas durante um fim de semana de março de 2022, fato que levou Bukele a declarar uma “guerra” contra as gangues com um estado de exceção que já resultou, até o momento, em mais de 91.000 detidos.
A MS-13 e sua rival, a Barrio 18, com suas facções, são consideradas organizações terroristas pelos Estados Unidos e por El Salvador, e chegaram a controlar 80% do território nacional, conforme afirma o presidente salvadorenho, que também acusa o grupo de “rebelião” por tentar manter o controle territorial para estabelecer “um Estado paralelo”.
Bukele continua defendendo sua guerra contra as gangues, cujos membros podem ser detidos sem necessidade de mandado judicial prévio, o que já levou à prisão de milhares de pessoas. Além disso, ele sempre negou ter negociado com as gangues, apesar de, em setembro de 2020, o site El Faro ter publicado uma investigação a esse respeito, à qual se soma a denúncia por parte dos Estados Unidos de um diálogo secreto justamente com a MS-13.
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