MÁLAGA 12 mar. (EUROPA PRESS) - A diretora Júlia de Paz apresentou nesta quinta-feira “La buena hija” (A boa filha) na 29ª edição do Festival de Málaga, filme que concorre na seção oficial. A cineasta catalã retorna ao certame de Málaga, onde já triunfou em 2021 com “Ama”, sua ópera prima.
Em “La buena hija”, acompanhamos a vida de Carmela, que, após a separação dos pais, se muda com a mãe para a casa da avó. Enquanto tenta se adaptar à sua nova situação, Carmela anseia por passar mais tempo na casa do pai, um artista plástico que ela admira e idolatra. A sombra deste levará as três gerações de mulheres da família a decidir o futuro que merecem. A conferência de imprensa no cinema Albéniz contou com a presença da diretora Júlia de Paz, acompanhada por Kiara Arancibia, Janet Novás e Julián Villagrán, intérpretes; além da co-roteirista Nuria Dunjó e dos produtores.
“O filme é uma viagem do amor ao desamor pelo pai e do desamor ao amor pela mãe”, explicou a diretora de “La buena hija”, Júlia de Paz, autora do roteiro com Nuria Dunjó.
“La buena hija” conta uma história de violência familiar, mas esta demora a aparecer na tela: “Não queríamos deixar muito claro desde o início o personagem do pai. Porque a viagem que Carmela faz é a mesma que sua mãe fez na época: do amor ao desamor, aos poucos percebendo como é seu pai”, comentou a cineasta catalã.
Nuria Dunjó, autora do roteiro de “La buena hija” com Júlia de Paz, indicou suas intenções ao escrever o filme: “Nunca quisemos ser muito explícitas. Carmela é uma menina de 12 anos que está entendendo a situação e também não tem todas as cartas na mesa. Ela as vai adquirindo à medida que o filme avança.” “Havia também uma direção muito clara em entender e trabalhar o que é violência e o que não é violência”, confessou Nuria Dunjó sobre um dos objetivos do filme, que é uma adaptação para o formato longa-metragem do curta-metragem homônimo da própria Júlia de Paz.
A atriz responsável por dar vida a Carmela foi a jovem Kiara Arancibia: “Me prepararam muito bem para entender Carmela, entender a personagem e viver as emoções a partir dela”, disse ela. “Foi um orgulho interpretar Carmela”, acrescentou a intérprete. Encontrar a protagonista foi um processo árduo para a diretora de “La buena hija”: “Vimos mais de 500 meninas. Kiara foi a única que correspondia à personagem de Carmela, tal como a imaginávamos. Procurávamos uma menina que não reproduzisse uma feminilidade muito normativa, mas que também questionasse sua própria identidade”, relatou Júlia de Paz. “E também vimos em Kiara que ela tinha muitas emoções que não se permitia expressar”, compartilhou a diretora sobre a jovem protagonista de “La buena hija”.
“La buena hija” foca constantemente em Carmela, algo que suas criadoras tinham “muito claro”. A diretora Júlia de Paz revelou a chave para “esse acompanhamento de Carmela”: “Queríamos ouvir Carmela; queríamos ouvi-la”.
Para o ator Julián Villagrán, que dá vida ao pai abusivo, criar esse personagem foi uma grande experiência: “Sempre digo que ganhei na loteria, porque é muito difícil encontrar um personagem em que você tenha que se sentir muito inseguro e que te desafie, que te faça se esforçar para ir a lugares onde você não se repete e usa os truques que sabe que funcionam”.
“A aposta foi que o público também pudesse se identificar com o personagem do pai. Colocá-lo naquele desconforto de quase entender por que ele faz as coisas e não fazer nada maniqueísta nem dizer a ele o que ele deve sentir”, confessou Villagrán sobre o tratamento dado ao seu personagem. Júlia de Paz foi clara sobre a necessidade de contar histórias como a de “La buena hija”: “Este ano, tivemos 18 feminicídios e duas crianças assassinadas. Para escrever o roteiro, fizemos um trabalho de investigação que durou entre cinco e seis anos, onde entrevistamos mulheres sobreviventes de violência machista, meninos e meninas, homens condenados por violência machista, juízas, advogadas... e o que vimos claramente é que os meninos e meninas não eram ouvidos”.
Esse silenciamento das vítimas de violência vicária “foi a principal motivação para fazer o filme”, confessou Júlia de Paz, diretora de “A Boa Filha”.
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