A UE mobilizou neste verão 777 bombeiros de 14 países para ajudar os Estados-membros a combater os incêndios
BRUXELAS, 15 set. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia propôs nesta terça-feira avançar na criação de um corpo europeu de bombeiros que permita reforçar a cooperação entre os Estados-Membros e contar com equipes preparadas para atuar “o ano todo, não apenas no verão”, após uma temporada de incêndios em que cerca de 700.000 hectares foram consumidos por chamas em toda a União Europeia.
“O objetivo é avançar na criação de um corpo de bombeiros europeu que não receba atenção apenas no verão”, afirmou a comissária europeia para a Gestão de Crises, Hadja Lahbib, durante um debate no plenário do Parlamento Europeu em Estrasburgo (França) sobre os incêndios florestais e outros fenômenos meteorológicos extremos registrados neste verão na Europa.
Lahbib propôs essa opção ao constatar que “em alguns países, 80% dos bombeiros são voluntários”, por isso a Comissão começou a trabalhar nesse sentido, por exemplo, reunindo “jovens voluntários de toda a UE” em uma sessão em Varsóvia (Polônia), “com o objetivo de formar um corpo europeu, harmonizar conhecimentos e práticas e trocar experiências”.
A comissária explicou que, somente neste verão, a União Europeia como um todo mobilizou 777 bombeiros voluntários de 14 países. No entanto, ela destacou a necessidade de “fazer mais em matéria de prevenção”, como, por exemplo, garantir que os Vinte e Sete contribuam para uma mobilização preventiva na próxima temporada de incêndios.
CERCA DE 700.000 HECTARES QUEIMADOS EM TODA A UE
Durante sua intervenção, Lahbib alertou que 2026 voltou a trazer um verão “muito difícil” na Europa devido às ondas de calor e às secas, que elevaram o risco de incêndios e causaram danos à saúde, à atividade econômica e à agricultura.
De acordo com os dados apresentados pela comissária, cerca de 700.000 hectares foram queimados no que vai do início do ano até agora, e 16 Estados-membros registraram áreas queimadas superiores às respectivas médias nacionais.
Nesse contexto, ela defendeu o reforço da prevenção contra fenômenos meteorológicos extremos, argumentando que a resposta de emergência deve ser a “última linha de defesa”, e adiantou que a Comissão apresentará, no outono, um quadro integrado de resiliência climática.
Apesar da magnitude dos incêndios, Lahbib destacou que todos os pedidos de assistência recebidos este ano por meio do Mecanismo de Proteção Civil da UE puderam ser atendidos, dez deles na Europa e outros dois fora do continente.
No total, o Centro de Coordenação de Resposta a Emergências (ERCC) coordenou a mobilização de 40 meios aéreos e 18 equipes terrestres, enquanto a reserva estratégica europeia “rescEU” contou neste verão com uma frota de 18 aeronaves e cinco helicópteros.
Lahbib defendeu a continuação da ampliação dessas capacidades e destacou que há quatro novas aeronaves pendentes de entrega, além de doze aeronaves anfíbias provenientes do Canadá — as Canadair —, ao mesmo tempo em que se mostrou a favor de impulsionar a produção desse tipo de aeronave na Europa para reforçar a capacidade própria de resposta aos incêndios.
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