Publicado 17/06/2025 11:10

Bruxelas propõe acelerar o licenciamento e reduzir a burocracia para impulsionar o investimento em defesa

O Comissário da Defesa, Andrius Kubilius, e o Comissário do Orçamento, Peter Serafin, na reunião do Colégio de Comissários em Estrasburgo.
VALENTINE ZELER / EUROPEAN COMMISSION

BRUXELAS 17 jun. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia propôs na terça-feira uma série de medidas para impulsionar o investimento militar dos Estados membros e promover a produção de armas no continente, incluindo a aceleração das licenças e a redução da burocracia, bem como a diminuição das exigências ambientais para a produção militar.

Com esse novo pacote de regras e processos simplificados para investimentos em defesa, Bruxelas pretende ajudar os estados-membros e o setor a aumentar a capacidade e a infraestrutura para "se preparar e impedir conflitos de alta intensidade". "A história não perdoa hesitações ou atrasos. Nossa missão é a independência europeia", diz a proposta da UE, que aponta para a necessidade de fortalecer a capacidade da Europa de salvaguardar a paz e a segurança.

A Comissão Europeia está propondo, portanto, reduzir para 60 dias a concessão de licenças para projetos ou instalações de defesa, de modo a acelerar processos que às vezes levam quatro ou cinco anos. "Em nossas consultas, fomos informados com muita clareza que o mais importante é acelerar o processo de licenciamento. Essa é a principal reclamação tanto das forças armadas quanto dos fornecedores", disse o Comissário de Defesa Andrius Kubilius em uma coletiva de imprensa no Parlamento Europeu em Estrasburgo.

O comissário lituano argumentou que, com essa proposta, a UE está mantendo seus padrões elevados e, ao mesmo tempo, simplificando os processos relacionados à aquisição e produção de armas para adaptá-los aos tempos de guerra. "Nosso pacote mostra que a velocidade não é inimiga da responsabilidade", disse ele, depois de ironizar que o presidente russo Vladimir Putin não adiará seus planos contra a UE.

Nesse sentido, as autoridades competentes terão um prazo máximo de 60 dias para dar o sinal verde. "Se elas não forem capazes de reagir dentro de 60 dias após o envio do dossiê de permissão, então a presunção será de que ela foi concedida", explicou um alto funcionário europeu.

Para facilitar os investimentos do Fundo Europeu de Defesa (EDF), o executivo europeu está propondo mudanças legislativas para estabelecer um único ponto de contato nos estados-membros para empresas militares, além de reduzir a burocracia para incentivar projetos conjuntos de vários estados-membros e a participação da Ucrânia no fundo.

"Podemos incentivar ou facilitar a aquisição conjunta de instrumentos, desde que seja em parceria. Portanto, propomos que pelo menos três estados-membros façam isso. Também facilitamos a aquisição de inovação e estamos propondo, pela primeira vez, que o Fundo Europeu de Defesa possa financiar os custos de testes em território ucraniano", explicou um alto funcionário da UE sobre o chamado "omnibus" de defesa.

Para incentivar a aquisição conjunta, a UE aumentará os limites dos contratos, acelerando assim as transferências transfronteiriças de equipamentos de defesa. Nesse contexto, o executivo europeu propõe que a UE-27 se abstenha de impor limitações às transferências dentro da UE de componentes que serão integrados a um produto final em outro estado membro e que não podem ser reexportados separadamente, além de simplificar as obrigações de notificação para transferências intangíveis de tecnologia.

REFORÇAR AS EXCEÇÕES EM NÍVEL NACIONAL

Em relação à flexibilização das regras da UE, a iniciativa esclarece que os estados-membros podem usar as isenções existentes em várias leis da UE previstas para "interesse público superior", "segurança pública" ou "crise" para investimentos industriais e governamentais em atividades de defesa e preparação para a defesa, abrindo caminho para relaxar os requisitos em áreas como o meio ambiente.

Dessa forma, Bruxelas está propondo que os estados-membros usem isenções nacionais à legislação sobre produtos químicos, que é usada pela indústria, para garantir que a regulamentação "seja adaptada às necessidades da defesa".

De qualquer forma, ela reconhece que a isenção é "ad hoc" em sua aplicação, o que não se encaixa no objetivo de preparação da defesa para 2030. Portanto, propõe a ampliação das condições para o uso da isenção nacional e incentiva os estados membros a usar todo o seu potencial para as necessidades militares.

Propõe também que as necessidades de preparação para a defesa sejam abordadas em nível da UE antes que proibições ou restrições internacionais sobre elementos químicos sejam implementadas.

Da mesma forma, o "omnibus" da Defesa incentiva os Estados-Membros a utilizarem plenamente a possibilidade de suspender os direitos de importação de determinadas armas e equipamentos militares importados de países terceiros, entendendo que há falta de capacidades críticas na indústria de defesa e nos exércitos europeus e que há necessidade de importar equipamentos de defesa, componentes e matérias-primas "de forma rápida, ágil e econômica".

ACESSO A FINANCIAMENTO

Por fim, para melhorar o acesso ao financiamento na Europa, a proposta esclarece que os investimentos em defesa "podem estar em conformidade" com os padrões de financiamento ambiental e social. "Não há mais controvérsias com os critérios do ECG. A defesa é compatível com os critérios de sustentabilidade como qualquer outro setor", disse Kubilius.

A proposta afirma que apenas as armas proibidas pelas convenções internacionais sobre armas, das quais a maioria dos estados membros faz parte, devem ser excluídas do recebimento de financiamento.

Sobre as regras para a supervisão de fusões entre empresas do setor, o executivo da UE afirma que considerará uma fusão no setor de defesa como um "fator positivo" quando a avaliação necessária for realizada.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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