CLAUDIO CENTONZE / EUROPEAN COMMISSION - Arquivo
BRUXELAS 17 fev. (EUROPA PRESS) -
O comissário europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, insistiu nesta terça-feira na ideia de um “espaço Schengen militar” para agilizar o envio de tropas europeias no caso de um eventual ataque da Rússia em solo comunitário, após alertar para os obstáculos burocráticos e as deficiências de infraestruturas para o rápido transporte de tropas e equipamento pesado.
Durante um discurso num fórum sobre mobilidade militar e resiliência realizado em Vilnius, capital da Lituânia, o comissário fez suas as palavras do general americano John J. Pershing, que afirmou após a Primeira Guerra Mundial que “a infantaria ganha batalhas”, mas que “a logística ganha guerras”.
Kubilius indicou que, embora exista liberdade de movimento para os cidadãos na UE, o mesmo não acontece no caso dos soldados, uma vez que há Estados-Membros que exigem um pré-aviso de até 45 dias para a movimentação de tropas, uma “burocracia” que, na sua opinião, gera “uma grande dor de cabeça” porque “os tanques e as tropas estão presos à burocracia”.
A isso acrescenta-se que, como relatou, “as normas sobre movimentos militares são fragmentadas”, não só a nível nacional, mas às vezes também a nível regional, o que acumula “atraso sobre atraso” e “dor de cabeça sobre dor de cabeça” quando é necessária uma rápida mobilização militar.
Após “os problemas teóricos”, continuou ele em sua explicação, “vêm os obstáculos do mundo real”, como problemas de capacidade com pontes e estradas “muito frágeis para transportar tanques”, túneis “muito pequenos” e isso “provoca longos desvios e engarrafamentos”.
“Nossas normas em tempos de paz não são adequadas para a mobilidade militar. Nossa infraestrutura também não. O transporte de tropas de um extremo ao outro da Europa pode levar semanas ou até meses. Isso não dissuadirá Putin, isso convidará Putin”, acrescentou Kubilius, sustentando que, para dissuadir a Rússia, é preciso criar “um espaço Schengen militar”.
O comissário apelou à compreensão de que “não há dissuasão credível sem mobilidade militar” e que a mobilidade militar determina “se a solidariedade europeia e a defesa coletiva são teóricas ou operacionais”. Caso contrário, acontecerá que “enquanto os soldados europeus preenchem os papéis, os soldados russos preencherão o vazio de Suwalki (Polônia)”.
UMA “VIA RÁPIDA” COM MENOS BUROCRACIA Kubilius lembrou que a invasão russa da Ucrânia colocou em evidência que “a geografia” e “o tempo” são importantes e que “a dissuasão não depende apenas das forças” que se possuem, mas também da capacidade de as mobilizar e manter.
“Para os países da fronteira oriental, o fator decisivo numa crise é o tempo. Para eles, a mobilidade militar é uma questão de vida ou morte. No atual contexto de segurança, a distância dos centros de reforço na Europa Ocidental traduz-se diretamente em exposição estratégica”, acrescentou.
Neste ponto, recordou a proposta lançada pela Comissão Europeia em novembro passado para uma “via rápida” de mobilização militar com regras vinculativas para todos os Estados-Membros, a fim de “substituir o mosaico caótico de 27 regras nacionais diferentes por um único e claro regulamento europeu”. “As regras são simples. Em tempos de emergência, acabaram-se as autorizações para o transporte de soldados. Basta notificar o país que precisa ser atravessado. E em tempos de paz, uma única autorização europeia. Válida para toda a União Europeia e emitida num prazo máximo de três dias", detalhou.
Kubilius também apontou para um Fundo de Solidariedade para abordar os problemas de capacidade nas infraestruturas, com o objetivo de partilhar recursos de transporte essenciais, como comboios de plataforma ou veículos médicos, além da inclusão de 18 mil milhões de euros no próximo orçamento europeu para infraestruturas de dupla utilização.
“Devemos começar por melhorar os gargalos mais importantes em quatro corredores-chave de mobilidade militar, identificados pelos Estados-Membros. E devemos estar preparados para qualquer imprevisto”, afirmou, antecipando que as primeiras negociações entre o Parlamento e o Conselho (os Estados) sobre este pacote deverão ter lugar este verão.
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