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BRUXELAS 8 jul. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia pediu nesta terça-feira ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que respeite os “compromissos” assumidos no acordo comercial que, no verão passado, pôs fim às tensões tarifárias entre Washington e Bruxelas, ao mesmo tempo em que alertou que “sempre” zelará pelos interesses da União Europeia e de seus Estados-membros, depois que o presidente norte-americano voltou a ameaçar, de Ancara, romper todas as relações comerciais com a Espanha.
“A Comissão sempre zelará pela proteção total dos interesses da União Europeia e de todos os seus Estados-membros. Continuaremos defendendo um comércio transatlântico estável, previsível e mutuamente benéfico para todos”, afirmou o porta-voz de Comércio da Comissão Europeia, Olof Gill, ao ser questionado sobre as declarações de Trump ao chegar à cúpula de líderes da OTAN que está sendo realizada em Ancara.
Questionado sobre as consequências que poderiam advir caso os Estados Unidos cumpram suas ameaças, incluindo a suspensão das isenções tarifárias adotadas pela UE em favor dos produtos norte-americanos, o porta-voz evitou uma resposta direta e garantiu que reagirá a esse cenário “se for o caso, mas não é o momento certo”.
Não é a primeira vez que o presidente dos Estados Unidos ameaça a Espanha com retaliações comerciais por não assumir um gasto com defesa equivalente a 5% de seu PIB, embora Trump nunca tenha chegado a dar o passo de impor medidas.
A Comissão Europeia, que fala em nome dos 27 em matéria comercial, tem reiterado em todas as ocasiões que a política comercial é definida de forma coletiva e, portanto, um país terceiro não poderia impor tarifas seletivas sobre um ou vários países da UE, mas teria que fazê-lo sobre os Vinte e Sete ou por meio de setores específicos que considerasse especialmente sensíveis para um único parceiro.
De qualquer forma, Gill destacou nesta terça-feira que a posição de Bruxelas em relação às tensões comerciais com os Estados Unidos é “muito clara e coerente” e que “não mudará” sua abordagem.
“O comércio entre a União Europeia e os Estados Unidos está profundamente integrado e é mutuamente benéfico. Portanto, é do interesse de ambos salvaguardar essa relação e, de fato, isso é mais importante do que nunca em um momento de incerteza global”, reforçou o porta-voz da União Europeia.
Nesse contexto, Gill destacou que, no verão passado, na Escócia, Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, assinaram uma “Declaração Conjunta” que estabelece as bases das relações comerciais, referindo-se ao compromisso europeu de renunciar a retaliações tarifárias contra os Estados Unidos caso este país mantenha as tarifas generalizadas sobre as importações europeias em um teto de 15%.
“Esperamos que os Estados Unidos cumpram seus compromissos nos termos dessa Declaração, assim como nós cumprimos os nossos”, argumentou, antes de declarar que a “Comissão sempre zelará pela plena proteção dos interesses da União Europeia e de todos os seus Estados-membros”.
TRUMP DEFINE A ESPANHA COMO “CAUSA PERDIDA”
O presidente dos Estados Unidos voltou a atacar a Espanha, afirmando que suspenderá “completamente” o comércio bilateral e que o país é “uma causa perdida”, além de “um péssimo parceiro na OTAN”, por se recusar a aumentar os gastos com defesa para 5% do PIB.
“A Espanha é uma causa perdida. Aliás, não queremos mais fazer nenhum negócio comercial com a Espanha. Quero que cortem tudo. A Espanha é um péssimo aliado na OTAN. Eles não participam. Não pagam. Não quero saber de nada sobre a Espanha. Interrompam todo o comércio com a Espanha, por favor, incluindo as visitas”, disse Trump durante uma coletiva de imprensa conjunta com o secretário-geral da Aliança, Mark Rutte.
Trump expressou sua irritação com vários aliados, alegando que eles demonstram pouco compromisso com a OTAN, embora tenha destacado especialmente a Espanha porque “são hostis”, “não concordam com nada” e dizem “abertamente” que não vão aumentar seus gastos com defesa além de 2%.”
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