Sergei Bulkin / Zuma Press / ContactoPhoto
BRUXELAS 9 abr. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia manifestou nesta quinta-feira a esperança de que o governo húngaro de Viktor Orbán ofereça “explicações com caráter de urgência” diante da “possibilidade alarmante” de que tenha se coordenado com o Kremlin contra os interesses e a segurança da União Europeia, depois que, na véspera, uma investigação jornalística revelou que Budapeste se ofereceu para enviar documentos confidenciais dos 27 a Moscou.
“As supostas revelações dessa reportagem investigativa evidenciam a possibilidade alarmante de que o governo de um Estado-membro tenha se coordenado com a Rússia e, assim, agido ativamente contra a segurança e os interesses da UE”, alertou a porta-voz-chefe do Executivo de Ursula von der Leyen, Paula Pinho.
Dessa forma, a porta-voz da UE sublinhou que se trata de uma situação “extremamente preocupante” e que, aos olhos de Bruxelas, cabe “ao governo do Estado-membro em questão dar explicações por conta própria com caráter de urgência”.
“A presidente (Von der Leyen) abordará esta questão a nível de líderes”, concluiu a porta-voz da Comissão Europeia, sem esclarecer se se refere à próxima cimeira informal que os líderes da União realizarão nos próximos dias 23 e 24 de abril em Nicósia ou se prevê tratar o assunto de forma bilateral com algum deles previamente.
Na quarta-feira, um consórcio de meios de comunicação de investigação — como VSquare, ICJK e Delfi — publicou novas informações sobre a coordenação entre Budapeste e Moscou para bloquear decisões internas da União, incluindo o áudio de uma conversa do ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjarto, com seu homólogo russo, Sergei Lavrov, na qual o primeiro se oferece para enviar ao segundo documentos discutidos entre os 27 sobre a possível adesão da Ucrânia ao bloco.
Na ligação entre os dois, ouve-se Lavrov perguntando sobre as condições que a UE estabeleceria para o processo de adesão da Ucrânia e como o ministro húngaro se oferece para enviar os documentos por meio da Embaixada da Hungria em Moscou, sem especificar de quais documentos se trata concretamente.
De qualquer forma, os vazamentos de quarta-feira que evidenciam o entendimento do governo de Orbán com o Executivo de Vladimir Putin não são os primeiros a serem publicados nas últimas semanas, mas sim aqueles que receberam uma reação mais contundente de Bruxelas, que até agora havia optado por manter uma posição discreta para não impactar as iminentes eleições que a Hungria realiza neste próximo domingo.
A Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, manteve no final de março uma conversa telefônica com Szijjarto após as primeiras revelações veiculadas pela imprensa sobre seus contatos com Lavrov, para lembrá-lo do “dever legal de cooperação sincera” que todos os Estados-membros têm para com a UE. Poucos detalhes dessa conversa vieram a público, além do fato de que ela ocorreu, embora isso não tenha impedido o chefe da diplomacia húngara de se gabar, em declarações à imprensa, de manter contatos frequentes com países terceiros, incluindo a Rússia.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático