Publicado 23/03/2026 08:43

Bruxelas pede explicações à Hungria sobre as informações "preocupantes" relativas a vazamentos para a Rússia

Archivo - Arquivo - ARQUIVADO - 28 de julho de 2025, Bélgica, Bruxelas: Três bandeiras da União Europeia hasteadas em frente ao edifício Berlaymont, em Bruxelas, sede da Comissão Europeia. A Ucrânia deve acelerar as reformas se quiser cumprir a meta que s
Alicia Windzio/dpa - Arquivo

BRUXELAS 23 mar. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia solicitou nesta segunda-feira explicações ao governo da Hungria sobre as informações “preocupantes” que indicam que seu ministro das Relações Exteriores, Péter Szijjarto, teria compartilhado com a Rússia o conteúdo de debates a portas fechadas em reuniões de ministros da UE, sem que, por enquanto, o Executivo comunitário pretenda tomar qualquer decisão.

“As notícias de que o ministro das Relações Exteriores da Hungria teria supostamente revelado ao seu homólogo russo o conteúdo de uma discussão ministerial a portas fechadas no Conselho são profundamente preocupantes”, afirmou em uma coletiva de imprensa a porta-voz adjunta da Comissão Europeia, Arianna Podestà.

Na visão do Executivo comunitário, uma relação de confiança entre os Estados-membros e entre estes e a instituição “é fundamental” para o funcionamento da UE, pelo que espera que o “Governo húngaro forneça os esclarecimentos necessários”.

“Como eu disse, por enquanto estamos aguardando esses esclarecimentos, e é nesse ponto que nos encontramos (...). Portanto, primeiro precisamos apurar os fatos e receber esses esclarecimentos”, respondeu a porta-voz ao ser questionada sobre se a Comissão está considerando adotar algum tipo de medida contra a Hungria ou para evitar novos vazamentos para o Kremlin.

Bruxelas reage assim à notícia publicada pelo jornal norte-americano “The Washington Post” de que, segundo fontes diplomáticas citadas pelo veículo, o governo húngaro vem, há anos, vazando para o Kremlin informações confidenciais sobre o que é discutido nas reuniões de ministros europeus que os 27 realizam regularmente no âmbito do Conselho da UE.

O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, foi um dos primeiros a reagir à notícia e, em uma mensagem divulgada nas redes sociais no domingo, afirmou que isso é algo que os líderes da UE “há muito tempo suspeitam” e que, por isso, ele próprio evita tomar a palavra nas cúpulas além do “estritamente necessário” para dizer “o que é justo e necessário”.

“As notícias de que o pessoal do (primeiro-ministro húngaro, Viktor) Orbán informa Moscou sobre cada detalhe das reuniões do Conselho da UE não deveriam surpreender ninguém”, indicou Tusk, que também foi presidente do Conselho Europeu entre 2014 e 2019.

O ministro das Relações Exteriores da Hungria, Péter Szijjártó, respondeu a isso, recorrendo também às redes sociais para classificar as acusações como “notícias falsas” e acusar Varsóvia de querer apoiar, com suas mensagens, o partido de oposição Tisza para contar com um “governo fantoche pró-guerra” na Hungria.

De acordo com o que foi publicado pelo “The Washington Post”, o chefe da diplomacia húngara faz ligações “regularmente” nos intervalos das reuniões dos ministros dos 27 para transmitir ao seu homólogo russo, Sergei Lavrov, “informações diretas sobre o que foi discutido” em Bruxelas e coordenar possíveis respostas.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contenido patrocinado