Europa Press/Contacto/Aristidis Vafeiadakis
BRUXELAS 11 jul. (EUROPA PRESS) -
A vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Segurança e Democracia, Henna Virkkunen, instou a Agência Executiva Europeia para a Educação e a Cultura (AEEEC) a cancelar o subsídio de dois milhões de euros concedido à Bienal de Veneza, após a recusa desta em excluir a Rússia do evento de arte que organiza.
“A Comissão recomenda oficialmente o cancelamento da subvenção de dois milhões de euros destinada à Bienal de Veneza. Isso ocorre após uma avaliação minuciosa das respostas da Bienal para justificar a reabertura do pavilhão da Rússia”, explicou Virkkunen em uma mensagem publicada nas redes sociais.
Bruxelas havia ameaçado, há semanas, retirar esses dois milhões de euros de financiamento caso a organização permitisse a participação da Rússia na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte, inaugurada em 9 de maio, coincidindo com a comemoração do Dia da Europa.
A Bienal de Veneza anunciou em março a lista de países participantes de sua 61ª edição, entre os quais figurava a Rússia. Em um comunicado, a organização defendeu que se trata de “uma instituição aberta”, na qual qualquer país reconhecido pela República Italiana pode participar, e ressaltou que “rejeita qualquer forma de exclusão ou censura à cultura e à arte”.
A decisão provocou uma reação imediata de Bruxelas, já que Virkkunen e o comissário de Cultura, Glenn Micallef, classificaram a participação russa como “incompatível” com a resposta da UE à agressão da Rússia contra a Ucrânia e alertaram que estudariam medidas restritivas, incluindo a suspensão ou o cancelamento do subsídio comunitário de dois milhões de euros destinado à exposição.
De fato, há várias semanas, o Executivo comunitário concedeu um prazo de 30 dias à organização para que justificasse por que permitiu a participação da Rússia na 61ª edição da Exposição Internacional de Arte, avisando que, se a resposta não fosse “satisfatória”, suspenderia o financiamento de dois milhões de euros destinado à organização.
A polêmica em torno da participação de Moscou também influenciou o júri da Bienal, que renunciou em bloco na semana passada após se recusar a incluir a Rússia e Israel nos prêmios da exposição, argumentando que ambos os países têm líderes “acusados de crimes contra a humanidade”.
Como consequência dessa mudança organizacional, o anúncio dos vencedores, inicialmente previsto para 9 de maio, foi adiado para 22 de novembro. Essa medida de adiar a divulgação dos vencedores só tem como precedente a edição de 2021, marcada na época pelas restrições da pandemia da COVID-19.
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