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BRUXELAS 27 jan. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia não descartou flexibilizar as condições do empréstimo de 90 bilhões que os 27 países da União Europeia concederão à Ucrânia para cobrir suas necessidades de financiamento nos próximos dois anos, depois que, nesta segunda-feira, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, solicitou que esses fundos fossem utilizados para a compra de armamento dos Estados Unidos.
A porta-voz comunitária Paula Pinho lembrou nesta terça-feira, em uma coletiva de imprensa, que a Comissão Europeia apresentou em meados do mês sua proposta para gastar os 90 bilhões de euros que 24 países membros da UE destinarão ao financiamento da Ucrânia, um plano que foi acordado durante a cúpula do Conselho Europeu realizada em Bruxelas em dezembro.
A proposta do Executivo comunitário divide-se em dois blocos. Dois terços, 60 mil milhões, para despesas militares, com prioridade de compra à indústria ucraniana e europeia, e os restantes 30 mil milhões para cobrir outras necessidades orçamentais e garantir a continuidade do funcionamento da Administração.
De qualquer forma, segundo a porta-voz comunitária, essa será “a proposta da Comissão Europeia”, pelo que está “sujeita a debate e negociação” entre os 24 países — todos os Estados-Membros, exceto a Hungria, a República Checa e a Eslováquia — que contribuirão com fundos para financiar a Ucrânia.
“Isso está sujeito a debate e negociação, e veremos qual será o resultado final e a que conclusão chegaremos, mas essa era, em todo caso, a proposta da Comissão Europeia”, indicou Pinho.
As declarações da Comissão ocorrem depois que, nesta segunda-feira, o chefe da Aliança Atlântica instou, em um debate com eurodeputados na sede do Parlamento Europeu em Bruxelas, que a UE desse maior flexibilidade à Ucrânia para usar o empréstimo de 90 bilhões que os Estados-membros darão a Kiev para cobrir suas necessidades de financiamento em 2026 e 2027.
Na opinião de Rutte, a ajuda deve ser menos “restritiva” e permitir a compra de armamento proveniente dos Estados Unidos, pois, embora a UE esteja melhorando com uma variedade de investimentos na indústria de defesa, “no momento, não pode fornecer nem de longe o suficiente do que a Ucrânia precisa para se defender”.
“Portanto, ao processar este empréstimo, encorajo-os a manter as necessidades da Ucrânia como prioridade. É claro que, se puderem comprá-lo na Europa, ótimo. Se a base for a indústria de defesa da Ucrânia, ótimo. Mas todos sabemos que, sem esse fluxo de armamento proveniente dos Estados Unidos, não podemos manter a Ucrânia na luta. Literalmente, não”, explicou. GARANTIR A INDEPENDÊNCIA GRADUAL
No entanto, questionada sobre as declarações de Rutte, em que afirmou que é um sonho pensar que a Europa pode defender-se sem os Estados Unidos, Pinho reiterou as palavras da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, proferidas na semana passada, em que insistiu na necessidade de sermos “cada vez mais independentes” em cada uma das frentes da União Europeia.
A porta-voz deu como exemplo a energia, onde a UE conseguiu reduzir sua dependência da Rússia, as matérias-primas críticas e também a segurança. “Estamos reunindo uma série de medidas com um objetivo, que é, sob o lema da independência europeia, garantir que todos nós possamos, nas diferentes frentes, assegurar essa independência gradual”.
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