Publicado 23/06/2026 09:16

Bruxelas não esclarece se a comissária enviada a Israel criticou, em suas conversas, a ruptura com Kallas

A Comissão Europeia não esclareceu se a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica
HAIM ZACH / GPO

BRUXELAS 23 jun. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia não esclareceu se a comissária para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, que visitou Israel nesta segunda-feira e se reuniu com o presidente do país, Isaac Herzog, e com o ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, criticou, durante esses encontros, o rompimento diplomático que este último anunciou na semana passada com a Alta Representante da UE para Assuntos Externos, Kaja Kallas.

Questionada em uma coletiva de imprensa em Bruxelas sobre se a comissária abordou, em ambas as reuniões, a decisão do ministro Saar, a porta-voz-chefe do Executivo comunitário, Paula Pinho, limitou-se a responder que “isso faz parte da natureza desse tipo de conversa”, embora não tenha fornecido mais detalhes.

A porta-voz da Comissão acrescentou que “a Comissão apoia todos os membros de seu Colégio”, mas evitou “entrar em detalhes sobre o debate em torno desse assunto específico”.

“Ouvimos, assim como vocês, os comentários e não vamos responder às observações do ministro israelense”, respondeu ela às perguntas dos jornalistas sobre as críticas de Saar a Kallas.

Por sua vez, o porta-voz da União Europeia, Guillaume Mercier, explicou que, durante os encontros com o presidente e o ministro das Relações Exteriores de Israel, Suica abordou com eles “as relações bilaterais”, a situação em Gaza e os planos para sua recuperação, bem como a aplicação da resolução da ONU para o desarmamento do Hamas, a estabilização do cessar-fogo e a reconstrução da Faixa, além do fornecimento de alimentos e outras formas de ajuda humanitária.

Ele também destacou que a agenda desta viagem, que estava “planejada há algum tempo”, inclui, nesta sexta-feira, encontros na cidade de Ramalá, na Cisjordânia, com o vice-presidente palestino, Hussein al-Sheij, e com o primeiro-ministro, Mohamed Mustafá, com quem discutirá o apoio da União à Autoridade Palestina, bem como seu respaldo à implementação das reformas e à recuperação da Cisjordânia.

“Esta missão é realmente importante, pois queremos manter um diálogo franco e aberto com ambas as partes, com os interlocutores israelenses e palestinos. Assim, ontem e hoje a comissária aproveitou a oportunidade para reafirmar a posição da UE em relação à situação na região”, prosseguiu ela em sua explicação.

CRISE DIPLOMÁTICA COM KALLAS

A viagem ocorre poucos dias depois que o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, anunciou em uma postagem nas redes sociais que cortava “todos os contatos” com Kaja Kallas por ela supostamente ter comparado o país à África do Sul do apartheid.

Em resposta, a chefe da diplomacia europeia defendeu, em outra mensagem nas redes sociais, o diálogo como “base da diplomacia” e também reafirmou a condenação da União Europeia aos “assentamentos ilegais” israelenses na Cisjordânia.

“O diálogo é a base da diplomacia, especialmente quando surgem divergências. A União Europeia está sempre comprometida com uma relação construtiva com Israel”, afirmou a política estoniana, que também reiterou que “a solução de dois Estados continua sendo o único caminho viável” para alcançar uma paz “sustentável”.

Pouco depois, questionada se realmente havia comparado as ações de Israel ao apartheid sul-africano, ela evitou responder, alegando que já precisa lidar “todas as semanas” com polêmicas por causa de suas declarações privadas. “Portanto, vamos nos ater às declarações que faço publicamente todas as semanas. Essa é a posição europeia que estou representando”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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