Publicado 10/04/2026 09:09

Bruxelas lembra que não há unanimidade entre os 27 para a suspensão parcial do acordo comercial com Israel

Archivo - Arquivo - Bandeiras da UE ao lado de uma bandeira de Israel em frente ao edifício Berlaymont, sede da Comissão Europeia, em Bruxelas.
BOGDAN HOYAUX - Arquivo

BRUXELAS 10 abr. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia respondeu nesta sexta-feira aos pedidos de países como Espanha ou França para suspender parcialmente o Acordo de Associação com Israel, lembrando que a medida, proposta pelo Executivo comunitário em setembro de 2025, continua sem avançar devido à falta de unanimidade entre os 27 Estados-membros.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou em setembro do ano passado uma série de medidas para suspender parcialmente o acordo com Israel em resposta à situação em Gaza, e essa proposta “continua em aberto”, afirmou um porta-voz comunitário, que também ressaltou que, para que seja aprovada, é necessária uma “unanimidade” dos 27, o que não ocorreu na época “e continua sendo o caso agora”.

Foi o que afirmou em uma coletiva de imprensa em Bruxelas o porta-voz de Relações Exteriores da UE, Anouar El Anouni, ao ser questionado sobre as exigências da Espanha e da França para revisar o acordo comercial que o bloco comunitário mantém com Israel após a ofensiva do país liderado por Benjamin Netanyahu no Líbano, com uma onda de ataques na quarta-feira que deixou mais de 250 mortos.

“A proposta da Comissão continua em aberto e, por enquanto, permanece assim; portanto, qualquer decisão de suspender o acordo de associação em sua forma atual teria que ser aprovada por unanimidade no Conselho pelos 27 Estados-membros (...) Esta é a situação atual”, indicou.

Conforme lembrou a Comissão, os países da UE são soberanos em matéria de política externa e é necessário que todos e cada um deles concordem com a suspensão parcial do acordo comercial com Israel, que conta, até o momento, com o apoio de 26 dos 27 países, faltando apenas um para dar sua aprovação.

Dito isso, El Anouni reiterou a condenação do Executivo comunitário aos ataques realizados por Israel no Líbano, que a Alta Representante da UE para a Política Externa, Kaja Kallas, qualificou como desproporcionais e difíceis de justificar como “legítima defesa”, uma vez que Israel afirma que o alvo de seus bombardeios são os membros do partido-milícia xiita libanês Hezbollah.

Nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, sugeriu em entrevista ao jornal “Le Croix” que, se Israel não cessar os ataques no Líbano, a UE deveria reconsiderar seu acordo de associação com Israel, uma medida que, em sua opinião, “contribuiu para alcançar um cessar-fogo em Gaza”.

Um dia antes, o presidente do Governo, Pedro Sánchez, criticou em uma mensagem nas redes sociais o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, pelo que classificou como o ataque de Israel contra o Líbano “mais violento desde o início da ofensiva”. “Seu desprezo pela vida e pelo Direito Internacional é intolerável”, denunciou o chefe do Executivo.

Em seguida, pediu que a UE suspenda seu Acordo de Associação com Israel e que a comunidade internacional condene “esta nova violação do Direito Internacional”. “Não deve haver impunidade diante desses atos criminosos”, acrescentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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