Publicado 22/06/2026 14:31

Bruxelas lembra que é necessária unanimidade para suspender as sanções contra Delcy Rodríguez

A ONG Refugiados sem Fronteiras reivindica no Parlamento Europeu, em nome das vítimas, que as sanções contra a presidente da Venezuela não sejam suspensas

Archivo - Arquivo - A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em um evento no estado de Lara, no noroeste do país
PRENSA PRESIDENCIAL DE VENEZUELA - Arquivo

BRUXELAS, 22 jun. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia relembrou perante o Parlamento Europeu que, para que a União Europeia suspenda as sanções contra a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, é necessário o acordo unânime dos Vinte e Sete e que cabe aos Estados-membros avaliar periodicamente se é necessário mantê-las ou não.

Isso foi destacado por uma representante do Executivo comunitário na Comissão de Petições do Parlamento Europeu, em resposta a uma petição de um venezuelano exilado na Espanha que solicita à Comissão Europeia que não sejam suspensas as sanções contra Delcy Rodríguez, depois que a Alta Representante da União Europeia para a Política Externa, Kaja Kallas, propôs isso aos 27 Estados-Membros.

A porta-voz da União Europeia afirmou que as sanções da União Europeia “são uma das ferramentas” da Política Externa e de Segurança Comum que permitem proteger os direitos humanos e a legislação internacional, e que são revisadas “periodicamente”, levando em conta “processos tangíveis e verificáveis”.

“A decisão ou qualquer decisão relativa a sanções, incluindo a possível exclusão de listas, é tomada pelo Conselho (os Estados-Membros); essas decisões são tomadas pelo Conselho por unanimidade”, prosseguiu a representante da Comissão Europeia.

Além disso, ela lembrou que, desde 2018, e “tendo em conta a situação com o regime venezuelano”, foram impostas “toda uma série de sanções dirigidas a uma série de indivíduos” que se considerava terem cometido abusos ou violações do direito internacional.

Entre elas está Delcy Rodríguez, quando era vice-presidente da Venezuela, que atualmente está proibida de entrar no território da União Europeia e está sujeita à proibição de receber fundos ou recursos econômicos de qualquer tipo, seja de forma direta ou indireta.

“POR FAVOR, NÃO RETIREM AS SANÇÕES”

Esse pedido, que o Parlamento decidiu manter em aberto enquanto aguarda uma resposta por escrito da Comissão, foi impulsionado por um venezuelano exilado, Sergio Contreras, em nome da ONG Refugiados sem Fronteiras, que solicitou à Comissão que as sanções contra a atual presidente venezuelana não sejam suspensas.

A petição foi apresentada depois que a chefe da diplomacia europeia anunciou, em fevereiro passado, que proporia aos ministros das Relações Exteriores da União a retirada das sanções contra Rodríguez, embora a proposta nunca tenha chegado a ser apresentada formalmente, alegando que era preciso reconsiderar “em um sentido amplo” a relação e a abordagem da UE em relação às autoridades venezuelanas após a detenção, pelos Estados Unidos, do ex-presidente Nicolás Maduro.

A política estoniana, que destacou “alguns passos” dados por Caracas, como a libertação de presos políticos europeus, seguiu a recomendação do ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, que transmitiu a Kallas esse pedido com o argumento de que “as sanções não são um fim em si mesmas”, mas sim “um instrumento para alcançar um objetivo”. Nesse caso, o fim da repressão no país latino-americano.

O requerente, por sua vez, implorou à Comissão que “aqueles que morreram em celas de tortura” e aqueles que viram seus filhos “morrerem com um tiro no rosto”, não permita que as sanções contra Rodríguez sejam suspensas nem que ela participe, na Espanha, da Cúpula Ibero-Americana que será realizada em Madri no mês de novembro.

“Por favor, não suspendam as sanções, não permitam a entrada de Delcy Rodríguez; entendam que isso seria burlar a eficácia das sanções”, reclamou ele, ao mesmo tempo em que destacou que tal atitude seria “incompatível com os valores da União Europeia”.

“SERIA UM ENORME ERRO POLÍTICO E MORAL”

Na mesma linha, a eurodeputada do PP, Elena Nevado del Campo, alertou que o levantamento das sanções representaria um “enorme erro político e moral” e que, por isso, “a Europa não pode fazer vista grossa”.

Ela também destacou que a atual presidente venezuelana “não é uma representante qualquer”, mas sim a responsável pela manipulação de eleições democráticas e pela violação das liberdades e dos direitos fundamentais.

Por parte do Vox, o eurodeputado Hermann Tertsch rejeitou a “ideia absurda de suspender as sanções”, afirmando que se trata de “uma iniciativa do governo da Espanha”, liderado pelo PSOE, que, em sua opinião, tem “vínculos bastante claros” com o regime venezuelano.

“A torturadora, criminosa e assassina Delcy, máxima responsável pelo aparato repressivo venezuelano, não pode comparecer à Espanha para a cúpula e as sanções não podem ser suspensas”, afirmou ele, lembrando que o “intermediário” de uma viagem de Rodríguez à Espanha foi o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos, que “foi condenado a 24 anos de prisão”.

Por parte do Se Acabó la Fiesta (SALF), o eurodeputado Luis ‘Alvise’ Pérez exibiu uma suposta réplica de uma joia apreendida do ex-presidente do Governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero porque “o governo de Pedro Sánchez se ergiu, inexplicavelmente, como defensor de uma narcoditadura”.

“O fato de seu ministro das Relações Exteriores pedir o levantamento das sanções contra Delcy Rodríguez e de o próprio presidente convidá-la para jantar em Madri como se fosse mais uma amiga, como se ela não estivesse sendo investigada por crimes contra a humanidade, é algo que só se explica por esse tipo de questão”, lamentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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