Ela confirma que foi previamente informada sobre a ligação dos líderes nórdicos com Putin
BRUXELAS, 28 out. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia reiterou nesta quarta-feira que a União Europeia não voltará a importar gás russo, mesmo que seja alcançado um acordo de paz que ponha fim à guerra na Ucrânia, lembrando que a legislação comunitária vigente impede a retomada dessas compras, após notícias sobre possíveis negociações entre os Estados Unidos e a Rússia para restabelecer o fornecimento à Europa por meio do gasoduto Nord Stream.
“Temos legislação em vigor que nos impede de retomar as importações de combustíveis fósseis, em particular de gás, provenientes da Rússia”, afirmou a porta-voz-chefe da Comissão Europeia, Paula Pinho, durante a coletiva de imprensa diária do Executivo comunitário, questionada várias vezes sobre as informações relativas a possíveis negociações entre os Estados Unidos e a Rússia para reabrir o gasoduto Nord Stream assim que a guerra terminar.
A porta-voz comunitária para a Energia, Anna-Kaisa Itkonen, expressou-se no mesmo sentido, precisando que a legislação europeia “REPowerEU” “não está vinculada às sanções nem a nenhum evento geopolítico” e que, portanto, continuará sendo aplicada independentemente de se chegar a um acordo de paz na Ucrânia.
“Independentemente do que acontecer, estamos eliminando progressivamente o gás russo e o gás natural liquefeito do mercado europeu, e os últimos fornecimentos devem terminar no final do próximo ano”, explicou Itkonen, referindo-se a 2027.
A porta-voz esclareceu, no entanto, que não cabe à Comissão determinar se o gasoduto Nord Stream voltará a funcionar eventualmente no futuro, embora tenha insistido que a posição do Executivo comunitário sobre esse projeto tem sido clara desde o início e que a decisão de abandonar o gás russo vai além das medidas restritivas ligadas ao conflito.
“Conhecemos muito bem os custos ocultos de depender da Rússia para a compra de combustíveis fósseis. Eles foram usados como arma e pagamos o preço, por isso não nos esquecemos disso”, destacou a porta-voz-chefe, que insistiu que a Europa aprendeu as consequências de sua dependência energética de Moscou “com guerra ou sem ela”.
Além disso, ela lembrou que foi a Rússia quem interrompeu inicialmente o fornecimento de gás à Europa. “Foi a Rússia, caso alguém tenha esquecido isso nesse meio tempo”, ressaltou Pinho.
BRUXELAS JÁ SABIA DE ANTECEDÊNCIA DA LIGAÇÃO PARA PUTIN
Por outro lado, a Comissão Europeia confirmou que havia sido informada previamente sobre a conversa telefônica realizada nesta terça-feira entre o presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, com o presidente russo, Vladimir Putin.
“Fomos informados antes da ligação”, assegurou Pinho, que em seguida defendeu a importância de os países europeus manterem uma mensagem comum em seus contatos com o Kremlin, independentemente das iniciativas diplomáticas que seus líderes possam desenvolver.
“O que realmente importa é que permaneçamos unidos em torno da mesma mensagem que deve ser transmitida ao presidente Putin”, destacou, antes de lamentar que Moscou continue sem demonstrar disposição para participar de negociações para pôr fim ao conflito.
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