Publicado 20/05/2026 11:20

Bruxelas evita falar sobre Draghi para negociar a paz com a Rússia: “Mais importante do que quem é, é o que”

14 de maio de 2026, Renânia do Norte-Vestfália, Aachen: O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, recebe o Prêmio Carlos Magno na Prefeitura de Aachen. Foto: Henning Kaiser/dpa
Henning Kaiser/dpa

BRUXELAS 20 maio (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia evitou, nesta quarta-feira, responder às especulações de que Bruxelas estaria avaliando a possibilidade de nomear o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) e ex-primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, como enviado especial da União Europeia para negociar a paz com a Rússia, argumentando que mais importante do que a pessoa escolhida para o cargo é “o que se pede” a Moscou.

Questionada em uma coletiva de imprensa em Bruxelas sobre notícias da imprensa que indicam que a União Europeia estaria considerando o nome de Mario Draghi para ser seu enviado especial para negociar com a Rússia, a porta-voz de Relações Exteriores da UE evitou entrar “em nomes” e “especulações”, limitando-se a salientar que os Vinte e Sete devem primeiro determinar “o que pedir à Rússia”.

“Mais importante do que quem é o quê, e o que queremos pedir à Rússia”, acrescentou a porta-voz comunitária, que lembrou que os ministros das Relações Exteriores dos Estados-membros se reunirão na próxima semana em Nicósia (Chipre) para discutir, entre outros assuntos, uma lista com propostas de concessões a serem solicitadas a Moscou, elaborada pela Alta Representante da UE, Kaja Kallas.

De fato, a chefe da diplomacia europeia já defendeu na semana passada, após uma reunião na capital comunitária com seus homólogos dos Vinte e Sete, que, antes que a Europa possa desempenhar um papel mais ativo no conflito, todos devem chegar a um acordo sobre o que se deseja discutir com a Rússia e quais são as linhas vermelhas da União.

“A próxima reunião do Conselho será o local adequado para esse debate. Tudo isso se insere num princípio mais amplo: não pode haver uma paz justa e duradoura sem que a Rússia preste contas”, indicou Kallas, sem descartar a possibilidade de se candidatar ela própria para negociar com a Rússia, pois “poderia enxergar além das armadilhas que o Kremlin está armando”.

A Alta Representante também rejeitou a proposta da Rússia de nomear o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder como mediador internacional para resolver as negociações de paz sobre a Ucrânia com os Estados Unidos, alegando que ele não é adequado porque mantém laços com empresas russas.

Diante da proposta russa, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, reiterou que a União Europeia terá que sentar-se para “dialogar” com a Rússia “no momento oportuno” para abordar os problemas europeus em matéria de segurança, uma vez alcançada a paz na Ucrânia.

“Precisamos, no momento oportuno, dialogar com a Rússia para abordar nossos problemas comuns em matéria de segurança”, afirmou o socialista português à imprensa durante uma intervenção em Bruxelas por ocasião do Dia da Europa.

A União Europeia mantém suspensos os contatos diplomáticos formais com a Rússia desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, embora o receio de que a União Europeia saia prejudicada das difíceis negociações a três entre Moscou, Washington e Kiev tenha aberto caminho para que os Vinte e Sete possam designar uma figura que represente o bloco comunitário e se sente à mesa para negociar com o Kremlin.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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