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A Comissão Europeia insiste em apelar a “todas as partes” para que mantenham a contenção após novos ataques na região BRUXELAS 2 mar. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia evitou responder se considera legal o ataque lançado pelos Estados Unidos e Israel no sábado contra o Irã, que deu início a uma escalada de violência no Oriente Médio, com contra-ataques de Teerã a vários países da região, e limitou-se a apelar a “todas as partes” para a “máxima contenção” e ao respeito pelo direito internacional.
Questionada numa conferência de imprensa em Bruxelas sobre se o Executivo comunitário apoia os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a porta-voz principal do Executivo de Ursula von der Leyen, Paula Pinho, respondeu que o que não apoia é “o regime opressivo” que “tem matado pessoas” no Irão.
“A partir daí, você pode querer ouvir outras palavras ou palavras diferentes, mas o que foi dito é o que foi dito. E o que fizemos foi pedir a todas as partes que exerçam a máxima contenção e respeitem plenamente o direito internacional”, acrescentou a porta-voz da Comissão Europeia.
Questionada especificamente sobre se o Executivo comunitário considera que a operação lançada pelos EUA e seu parceiro Israel respeita o direito internacional, Pinho remeteu-se a uma declaração de Ursula von der Leyen, na qual ela pediu a todos os atores que se contivessem para que o conflito não se intensificasse, protegessem os civis e respeitassem as normas internacionais.
A porta-voz sublinhou que a Comissão Europeia está a trabalhar para “garantir a proteção dos cidadãos e assegurar a estabilidade da região” e que apoia “o direito do povo iraniano a determinar o seu próprio futuro”, que foi um dos que “mais protestou de forma pacífica”.
Da mesma forma, defendeu que Von der Leyen atua “dentro do âmbito de suas competências”, após críticas ao seu papel de fazer ligações para diferentes líderes mundiais e emitir declarações sobre política externa, competência exclusiva dos Estados-membros e que deve ser acordada por unanimidade.
Sobre a morte do aiatolá Ali Jamenei, afirmou que o seu governo será lembrado por ser “duro” e pela “repressão, opressão e violações dos direitos do povo iraniano”, bem como pelas suas ações no Médio Oriente. “Não nos esqueçamos que o seu regime matou milhares, milhares dos seus próprios cidadãos, milhares dos seus próprios filhos”, acrescentou.
“Também vimos que este regime violou repetidamente e durante muito tempo o direito internacional, bem como os seus compromissos jurídicos em matéria de não proliferação nuclear. Também vimos este regime apoiar grupos terroristas no Médio Oriente e além, com impacto também na segurança e estabilidade da UE”, continuou na sua explicação. NÃO HÁ QUESTIONAMENTO DA OPERAÇÃO
Pouco antes, a presidente da Comissão Europeia avisou em outra coletiva de imprensa que a União Europeia deve estar preparada para “as consequências” dos recentes acontecimentos no Oriente Médio, apontando para possíveis problemas energéticos, no transporte, na migração e até mesmo em matéria nuclear.
Em uma declaração em que afirmou que “os acontecimentos no Oriente Médio são profundamente preocupantes” e condenou os “ataques imprudentes e indiscriminados por parte do Irã”, ela não quis responder à pergunta feita por uma jornalista sobre se a operação dos EUA e de Israel respeita o direito internacional.
A porta-voz Paula Pinho encerrou o assunto alegando que a coletiva de imprensa respondia a outras questões, já que a coletiva foi realizada para a assinatura de novos acordos entre a União Europeia e a Suíça para elevar a relação bilateral.
No entanto, à reação da Comissão juntou-se a de alguns governos europeus, como os da França, Alemanha e Reino Unido, que no domingo publicaram uma declaração conjunta na qual advertiram que estão estudando a possibilidade de atacar “na origem” os lançadores de mísseis e drones do Irã para defender seus interesses e os de seus aliados no Oriente Médio.
“Concordamos em trabalhar juntos e com os Estados Unidos e os aliados na região para abordar esta questão”, indicaram os três países em seu comunicado, no qual avisam que tomarão medidas para defender seus interesses “ativando as ações defensivas necessárias e proporcionais para destruir na origem a capacidade do Irã de disparar mísseis e drones”. ESPANHA CRITICA OS ATAQUES AO IRÃ
Por sua vez, a Espanha foi um dos poucos países que condenaram os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, alegando que, embora não apoie o regime de Teerã, isso não legitima que países terceiros realizem ações unilaterais que violam a legalidade internacional e deixam o mundo mais instável.
Nesta segunda-feira, o presidente do Governo, Pedro Sánchez, apelou a “parar imediatamente a espiral” que se está a produzir no Médio Oriente na sequência do ataque lançado pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, condenando as ações levadas a cabo nas últimas horas pelo regime iraniano, bem como pelo partido-milícia libanês Hezbollah e pelo Exército israelita no Líbano.
“A violência só gera mais violência. As bombas atingem alvos militares, mas também ruas, aeroportos, escolas e casas de civis inocentes”, denunciou Sánchez em uma mensagem na rede social 'X'.
No sábado, em outra mensagem nas redes sociais, ele rejeitou a “ação militar unilateral” dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, bem como as ações do regime iraniano, e pediu que o diálogo fosse retomado e que se chegasse a “uma solução política duradoura para a região”.
“Rejeitamos a ação militar unilateral dos EUA e de Israel, que representa uma escalada e contribui para uma ordem internacional mais incerta e hostil”, escreveu o presidente do Governo em outra mensagem divulgada nas redes sociais.
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