BRUXELAS, 4 jun. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia anunciou nesta quinta-feira que está preparando um pacote no valor de 50 milhões de euros, que incluirá assistência financeira imediata, para contrariar as restrições “inaceitáveis” impostas pela Rússia às exportações da Armênia, argumentando que Moscou está exercendo “coação econômica” contra Yerevan devido à sua aproximação com a União Europeia.
Foi o que anunciou a presidente da Comissão Europeia após ter mantido uma conversa telefônica com o primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinián, a quem transmitiu o apoio “firme” da União diante da tentativa do Kremlin de exercer “pressão política” por meio da instrumentalização de suas relações econômicas.
“Moscou está instrumentalizando as relações econômicas para exercer pressão política. Conhecemos esse plano perfeitamente. Por isso, a Europa apoia firmemente a Armênia. Estamos preparando um pacote de ajuda da UE que inclui ajuda financeira imediata no valor de mais de 50 milhões de euros. E haverá mais”, anunciou em declarações divulgadas em um comunicado.
A conservadora alemã também anunciou que está prevista para esta sexta-feira a chegada à Letônia de um carregamento de 10.000 flores provenientes da Armênia, uma compra em resposta à restrição russa às importações de flores “com base em acusações duvidosas”, e previu novos intercâmbios entre empresas da União Europeia “seguindo os compromissos” da recente cúpula de Yerevan.
Em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, o porta-voz da Comissão Europeia para o Alargamento da UE, Guillaume Mercier, explicou que os 50 milhões provirão do apoio orçamentário direto que Bruxelas concede às instituições armênias, no âmbito do plano bilateral de resiliência e crescimento para a Armênia.
Nesse contexto, Von der Leyen lembrou que o plano bilateral de apoio à resiliência e ao crescimento, em vigor desde 2024, já beneficiou 7.000 empresas armênias e contribuiu para a criação de mais de 20.000 empregos. Além disso, ela destacou que a Armênia é “um lugar onde convergem talento, inovação e oportunidades” e um enclave “essencial” para as empresas europeias.
A presidente também reafirmou o compromisso da UE com a Aliança para a Conectividade acordada na cúpula de Yerevan, e voltou a avaliar positivamente a recente reabertura de rotas comerciais com a Turquia, incluindo a conexão ferroviária através da Geórgia, como “um excelente passo à frente” para a transformação da Armênia em um ‘hub’ que conecte a Europa, o Cáucaso Meridional e a Ásia Central.
ELEIÇÕES NA ARMÊNIA NESTE DOMINGO
No final de maio, a Rússia anunciou a proibição temporária da importação de produtos agrícolas frescos provenientes da Armênia, como tomates, diversos legumes e verduras, frutas como morangos e ovas, bem como certos peixes, até que o país corrigisse determinadas irregularidades detectadas.
A medida surgiu em um momento em que a União Econômica Euro-Asiática (UEEA) — formada por Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão e Quirguistão — instou a Armênia a realizar um referendo para escolher entre eles e a União Europeia, uma proposta que já foi descartada por Pashinián, que voltou a explicar que ela não faz sentido, uma vez que o país nem sequer tem o status de candidato.
No entanto, o anúncio de Bruxelas chega a três dias das eleições parlamentares armênias de 7 de junho, nas quais o primeiro-ministro armênio, líder do partido pró-europeu Contrato Civil, enfrenta as eleições em meio a alertas da Comissão Europeia sobre uma possível interferência russa para frear a virada pró-ocidental de Erevã.
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