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Von der Leyen define a ilha como “aliada estratégica” e defende a integridade territorial e a “inviolabilidade” das fronteiras
BRUXELAS, 7 set. (EUROPA PRESS) -
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta segunda-feira um pacote de 200 milhões de euros em investimentos para a Groenlândia, com o objetivo de reforçar sua aliança com a ilha e ampliar a presença da União Europeia no Ártico, em um momento marcado pelas pretensões dos Estados Unidos sobre o território autônomo dinamarquês.
O pacote, inserido no programa “Global Gateway” para ampliar a influência dos 27 no mundo, será investido entre este ano e o próximo e será direcionado principalmente a projetos de conectividade digital, energias renováveis e matérias-primas críticas, embora também preveja ações em áreas como habitação e turismo sustentável.
“A Groenlândia pode contar com a UE”, afirmou Von der Leyen durante sua visita a Nuuk, onde defendeu que os novos investimentos permitirão criar “novas oportunidades” e garantir uma União Europeia “forte e comprometida tanto na Groenlândia quanto no Ártico”. “A Groenlândia é um aliado estratégico e um amigo de confiança”, reforçou.
Von der Leyen também expressou a total solidariedade da UE “com o Reino da Dinamarca e com o povo da Groenlândia”, ao mesmo tempo em que reiterou que “o futuro da Groenlândia deve ser decidido pelo povo da Groenlândia e pela Dinamarca. Ninguém mais”.
“Integridade territorial, soberania, inviolabilidade das fronteiras. Esses são princípios fundamentais do Direito Internacional, e sabemos que o Ártico se tornou um dos locais onde as placas tectônicas da geopolítica se chocam. Por isso, temos um interesse direto no que ocorre aqui e, por isso, estamos elaborando uma nova estratégia da UE para o Ártico”, prosseguiu ela.
A visita da presidente da Comissão Europeia à ilha do Ártico — onde se reuniu com o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen—, ocorre depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reivindicou em várias ocasiões o controle da Groenlândia, alegando razões de segurança nacional.
Essas pretensões de Washington foram rejeitadas pelas autoridades da Groenlândia e da Dinamarca, além da União Europeia, que afirmou repetidamente que cabe exclusivamente aos cidadãos da Groenlândia decidir o futuro da ilha.
200 MILHÕES PARA CONECTIVIDADE, ENERGIA E MATÉRIAS-PRIMAS
Especificamente, os 200 milhões anunciados por Bruxelas servirão para financiar projetos de conectividade digital, matérias-primas sustentáveis e energia limpa, além de preparar novas iniciativas em áreas como turismo e habitação. A Comissão e as autoridades da Groenlândia já acordaram um primeiro conjunto de projetos, enquanto estudam novos investimentos a serem financiados pelo pacote, conforme indicado pelo Executivo europeu em um comunicado.
No que diz respeito à conectividade, a UE apoiará, nos próximos cinco anos, a ampliação da capacidade de satélite da Groenlândia por meio de provedores europeus para melhorar a “velocidade, confiabilidade e resiliência” das comunicações, especialmente nas localidades mais remotas. Bruxelas também financiará estudos para determinar a “viabilidade” de desenvolver centros de dados na ilha.
No que diz respeito aos recursos estratégicos, parte dos recursos será destinada a impulsionar projetos de mineração sustentável ligados à indústria europeia, por meio de análises técnicas e da busca por investidores, com o objetivo de alcançar cadeias de valor “mais integradas e resilientes”. Bruxelas destaca projetos de grafite e molibdênio como exemplos do potencial dessa cooperação e de sua contribuição para reforçar a “segurança do abastecimento”.
O pacote também financiará um programa da empresa de energia da Groenlândia, Nukissiorfiit, para “modernizar e descarbonizar” o fornecimento de energia elétrica em localidades remotas por meio de sistemas híbridos de energias renováveis, com os quais se espera reforçar a “confiabilidade” do fornecimento e ampliar o uso de energias limpas.
Os recursos restantes serão utilizados para preparar novos programas, principalmente nas áreas de turismo sustentável e habitação, uma vez que o turismo é considerado uma das oportunidades “mais imediatas e promissoras” para diversificar a economia, desenvolver o setor privado e gerar empregos na Groenlândia, enquanto a habitação é vista como um elemento “essencial” para lidar com o envelhecimento do parque imobiliário e promover um crescimento sustentável.
NOVO MARCO DE RELAÇÕES COM A GROENLÂNDIA
Além do pacote de investimentos, Von der Leyen assinou com Nielsen e Frederiksen uma nova declaração conjunta que atualiza o quadro de relações entre a UE, a Groenlândia e a Dinamarca e visa reforçar a agenda comum de investimentos, o diálogo político e os intercâmbios entre seus cidadãos.
A declaração, que substitui a acordada em 2015, reconhece a crescente “importância estratégica” da Groenlândia e amplia a cooperação a áreas como infraestruturas, produção de energia limpa, conectividade digital e matérias-primas sustentáveis, além de setores tradicionais como educação, pesca, meio ambiente e combate às mudanças climáticas.
O fortalecimento das relações ocorre, além disso, após a Comissão ter proposto aumentar significativamente o apoio financeiro à Groenlândia nos próximos anos. Especificamente, Bruxelas solicitou que fossem reservados 530 milhões de euros para a ilha no orçamento comunitário de 2028 a 2034, mais do que o dobro dos 225 milhões alocados para o atual quadro financeiro de 2021 a 2027.
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