Elogia o fato de o Canadá ser “membro associado”: “Queremos ter uma relação especial”
ESTRASBURGO (FRANÇA), 16 (EUROPA PRESS)
O comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, destacou nesta quarta-feira que a decisão de tornar o Canadá “o primeiro membro associado” da União Europeia é uma “iniciativa extraordinária” e, embora não tenha direito a voto no seio do bloco, abre as portas para que Ottawa participe dos debates europeus.
Como parte de uma nova etapa nas relações bilaterais, com o objetivo de fortalecer seus laços econômicos, tecnológicos, industriais e de defesa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs, no discurso sobre o Estado da União (SOTEU, na sigla em inglês), que o Canadá se torne membro associado da União Europeia.
“Não se trata apenas das relações bilaterais. Também vejo isso como um sinal geopolítico muito forte de que a Europa está realmente se tornando um centro de gravidade e de que as democracias do mundo estão muito mais unidas. E isso pode ter consequências realmente importantes”, afirmou o comissário de Defesa em um encontro com a Europa Press e outros meios de comunicação espanhóis no Parlamento Europeu, em Estrasburgo.
O político lituano enfatizou que esse passo significa que eles realmente desejam “ter uma relação especial”. “Construir essa relação especial significa que, em todas as diferentes áreas, podemos estudar quais instrumentos podemos criar”, afirmou ele sobre uma figura inédita na política europeia.
Segundo ele, alguns desses instrumentos já existem, como o acordo comercial CETA ou a participação do Canadá no fundo de defesa SAFE. Por isso, propôs que essa colaboração seja estendida a outras áreas e “que seja benéfica para ambas as partes por meio de instrumentos muito práticos”.
PARTICIPAR DE DEBATES EUROPEUS
De qualquer forma, Kubilius lembrou que o Canadá “não é um membro de pleno direito” e “não pode exigir o direito de voto quando a UE tomar decisões” mas é possível propor fórmulas para que ele participe de certos debates europeus, ponto em que citou como exemplo a Noruega e os países que fazem parte do Espaço Econômico Europeu.
Em seu discurso, Von der Leyen justificou essa iniciativa com a necessidade de “reimaginar” as alianças da Europa diante da “fratura” do sistema internacional baseado em normas. De qualquer forma, ela deixou claro em todos os momentos que não se trata de uma aliança contra ninguém, mas sim em prol da força comum.
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