O ex-presidente do Kosovo foi considerado culpado por crimes de guerra cometidos durante o conflito ocorrido no território entre 1998 e 1999
BRUXELAS, 16 set. (EUROPA PRESS) -
A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, saiu em defesa do Tribunal Especial para o Kosovo (TEK), alegando que se trata de um “órgão judicial imparcial e independente” e que suas sentenças “devem ser respeitadas”, depois que, nesta quarta-feira, o tribunal condenou o ex-presidente do Kosovo, Hashim Thaci, a 25 anos de prisão.
“O Tribunal Especial para o Kosovo é um órgão judicial imparcial e independente. Suas sentenças devem ser respeitadas e as pessoas condenadas têm o direito de recorrer delas. Trata-se de apurar responsabilidades individuais e fazer justiça às vítimas e suas famílias de todas as comunidades do Kosovo”, afirmou Kos em uma mensagem nas redes sociais.
A eslovena também fez um apelo aos “atores da região” para que contribuam para “curar as feridas do passado”, argumentando que “somente por meio da reconciliação” os países da região poderão “superar suas divisões e avançar rumo a um futuro comum na União Europeia”.
A reação de Bruxelas ocorre poucas horas depois de o TEK ter condenado Thaci a 25 anos de prisão, após declará-lo culpado de crimes de guerra, incluindo assassinato, tortura e detenção ilegal, no contexto do conflito no território entre 1998 e 1999.
O tribunal indicou que tanto Thaci, que liderou durante a guerra o esquadrão paramilitar albanokosovar do Exército de Libertação do Kosovo (ELK), quanto os outros três réus — Kadri Veseli, Rexhep Selimi e Jakup Krasniqi, altos dirigentes do grupo—, são culpados de crimes de guerra pela detenção arbitrária de 385 pessoas, pelos “tratamentos cruéis” infligidos a 49, pelas torturas infligidas a 303 e pelo assassinato de 96 indivíduos.
Os juízes determinaram, assim, que todos eles “contribuíram de forma significativa” para o objetivo de atacar pessoas consideradas opositoras aos objetivos políticos e militares do ELK, incluindo cidadãos albanokosovares ligados a outras forças políticas ou militares ou associados às autoridades sérvias, bem como membros de minorias como os ciganos ou os sérvios.
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