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Karol Nawrocki recusou os fundos europeus, alegando que aumentavam a dependência de seu país em relação à UE BRUXELAS 13 mar. (EUROPA PRESS) -
A Comissão Europeia definiu como “sólido” e “bem preparado” o plano de rearmamento da Polônia para incentivar as compras conjuntas de equipamentos militares — o programa de financiamento militar da União Europeia SAFE —, depois que o presidente do país, Karol Nawrocki, decidiu vetar os fundos europeus alegando que aumentariam a dependência de seu país em relação à UE.
Foi o que afirmou nesta sexta-feira, em uma coletiva de imprensa em Bruxelas, o porta-voz da Comissão para a Defesa, Thomas Regnier, ao ser questionado se a Polônia poderá continuar utilizando os quase 44 bilhões de euros que lhe foram atribuídos com base nesse instrumento, apesar do veto de seu chefe de Estado.
“A Polônia apresentou uma proposta muito sólida e bem elaborada, que tanto a Comissão quanto o Conselho aprovaram em tempo recorde. Agora, referindo-me aos possíveis próximos passos, com ou sem pagamentos, nossa posição é muito clara: o tempo é essencial e estamos comprometidos em implementar o plano sem demora”, indicou.
Regnier, que evitou entrar “no debate político nacional”, explicou que o Executivo comunitário está fazendo tudo ao seu alcance para finalizar o contrato com as autoridades polonesas até o mês de abril. “Os Estados-membros que recebem uma parcela da nossa parte é porque solicitaram o dinheiro”, observou.
No entanto, ele alertou que “a Polônia é a espinha dorsal” da fronteira oriental da UE, e que a Comissão está “extremamente satisfeita” e precisa da Polônia “a bordo” para a segurança da Europa e de todo o continente. “Portanto, não entraremos em debates políticos internos. Nossa posição é muito clara: estamos totalmente comprometidos com o plano nacional polonês. Esperamos implementá-lo sem atrasos e, atualmente, estamos finalizando o acordo de empréstimo”, concluiu. NAWROCKI: A POLÔNIA DEVE SE ARMAR EM SEUS PRÓPRIOS TERMOS
A Polônia apresentou um pedido de financiamento de 43,7 bilhões de euros no âmbito do programa de financiamento militar da União Europeia SAFE, dotado de 150 bilhões em empréstimos para incentivar as compras conjuntas de equipamentos militares.
De fato, a Polônia é o país com a maior dotação (43,7 bilhões), seguido pela Romênia (16,6 bilhões), França (16,2 bilhões), Hungria (16,2 bilhões), Itália (14,9 bilhões), Bélgica (8,3 bilhões), Lituânia (6,3 bilhões), Portugal (5,8 bilhões), Letônia (5,6 bilhões), Estônia (2,6 bilhões), Eslováquia (2,3 bilhões), República Tcheca (2,06 bilhões), Bulgária (3,2 bilhões), Croácia (1,7 bilhão), Chipre (1,2 bilhão) e Espanha (1 bilhão)
No entanto, nesta quinta-feira, o presidente polonês anunciou que havia vetado o projeto de lei aprovado pelo Parlamento do país e que teria permitido a Varsóvia acessar os fundos SAFE, alegando que nunca assinaria uma lei que “atacasse a soberania, a independência, a segurança econômica e militar” da Polônia. “A Polônia deve se armar. A Polônia deve construir um exército forte. A Polônia deve ser um dos pilares da segurança europeia e da OTAN. Mas a Polônia deve fazer isso em seus próprios termos”, argumentou Nawrocki em uma mensagem nas redes sociais, apontando que esse empréstimo aumentaria a dependência de seu país em relação a Bruxelas.
Pouco depois, o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, reagiu ao veto do presidente, afirmando que ele havia perdido “a oportunidade de agir como um patriota”. “Que vergonha!”, expressou em outra mensagem nas redes sociais.
Não é a primeira vez que o presidente polonês se opõe a medidas de segurança para seu país e, após o veto, o governo poderia revogá-lo se conseguir 276 votos favoráveis no Parlamento, onde conta com 248 cadeiras.
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