Publicado 14/04/2026 09:43

Bruxelas considera prematuro falar sobre a liberação de fundos para a Hungria e aguarda reformas concretas do novo governo

Também espera que Budapeste retire seu veto ao empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia para que o primeiro pagamento seja efetuado neste trimestre

BUDAPESTE, 13 de abril de 2026  -- Peter Magyar, líder do Partido Tisza da Hungria, participa de uma coletiva de imprensa internacional em Budapeste, Hungria, em 13 de abril de 2026. O Partido Tisza, da oposição húngara, liderado por Peter Magyar, derroto
David Balogh / Xinhua News / Europa Press / Contac

BRUXELAS, 14 abr. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia considerou nesta terça-feira prematuro abordar o desbloqueio dos cerca de 17 bilhões de euros em fundos de coesão e recuperação bloqueados para a Hungria até que ocorra a substituição do primeiro-ministro cessante, Viktor Orbán, e os compromissos de retomar o caminho democrático e europeu, expressos pelo líder da oposição e vencedor das eleições de domingo, Péter Magyar, se concretizem em "ações".

“Ouvimos atentamente as primeiras palavras do primeiro-ministro eleito e confiamos que muitas coisas acontecerão no que diz respeito ao que precisa ser feito para desbloquear os fundos, mas, é claro, agora precisamos ver resultados concretos”, resumiu em uma coletiva de imprensa em Bruxelas a porta-voz-chefe do Executivo comunitário, Paula Pinho.

Especificamente, em consequência da deriva antidemocrática do governo de Orbán e das reformas que colocaram em risco a independência judicial no país e que atentaram contra as liberdades de grupos vulneráveis, como crianças ou a comunidade LGTBIQ, a União mantém suspenso o desembolso de cerca de 7,6 bilhões de euros de fundos de coesão, e outros 10,4 bilhões do fundo anticrise pós-pandemia estão pendentes.

Parte desse dinheiro, por exemplo, está congelado devido ao procedimento de condicionalidade, que suspende o pagamento de fundos europeus caso haja risco de que sejam utilizados para políticas que prejudiquem os interesses da União ou contrariem os princípios fundamentais do Estado de Direito.

No caso do plano de recuperação, por sua vez, o governo húngaro deve apresentar propostas concretas com reformas e medidas aos fundos para que Bruxelas avalie sua adequação e conformidade, algo que Budapeste ainda não fez, apesar de não ser possível candidatar-se a esses recursos após 2026.

Nestas circunstâncias, o Executivo comunitário considera “muito cedo” tomar uma posição sobre o que é necessário para que o país volte a ter acesso aos fundos e qual seria o calendário, dado que apenas se passaram 48 horas desde que se conheceram os resultados das eleições que deram a Magyar uma maioria parlamentar de dois terços, garantindo que governará.

“É muito cedo. Vamos dar tempo ao primeiro-ministro eleito para que se instale e apresente propostas concretas e, então, poderemos debater como proceder”, concluiu Pinho, após sinalizar a disposição de Bruxelas em trabalhar lado a lado com o novo governo para facilitar o caminho das reformas, mas também a vontade de continuar trabalhando com o Executivo interino enquanto a transição se consolida.

Entre as questões pendentes que acirraram as tensões entre Bruxelas e Budapeste, embora não seja uma das condições que bloquearam os fundos em 2022, continua o veto do governo de Orbán ao empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia, que se comprometeu a permitir em troca de não arcar com parte de seu custo.

Nesse sentido, o Executivo comunitário confiou que, com a mudança de governo, esse obstáculo será resolvido, por isso insiste que acredita ser possível ter tudo pronto a tempo para que o primeiro pagamento possa ser feito “neste segundo trimestre”, ou seja, antes do fim de junho.

VON DER LEYEN ALERTA QUE HÁ MUITO A SER FEITO

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, já havia declarado na segunda-feira, após as eleições, que em Bruxelas haviam ouvido com atenção os compromissos de Magyar para voltar a ser um parceiro confiável dentro da União, mas deixou claro que ainda há “muito trabalho a ser feito” para restaurar o Estado de Direito na Hungria.

De forma semelhante, a conservadora alemã se expressou em uma mensagem divulgada nesta terça-feira nas redes sociais — publicada após sua segunda ligação telefônica com Magyar desde o resultado eleitoral —, na qual comemorou novamente que “a Hungria voltou ao coração da Europa, onde sempre pertenceu”.

“Discutimos as prioridades imediatas. Há um trabalho urgente a ser feito para restaurar, realinhar e reformar”, resumiu Von der Leyen sobre o que foi discutido com o primeiro-ministro eleito, esclarecendo em seguida que espera que o novo governo possa “restaurar o Estado de Direito, realinhar (o país) com os valores europeus compartilhados e reformar para desbloquear as oportunidades oferecidas pelos investimentos europeus”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado