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Kos lamenta que o retorno do “açougueiro da Bósnia” a Belgrado traga à memória “as páginas mais sombrias” da história dos Balcãs
BRUXELAS, 4 set. (EUROPA PRESS) -
A comissária europeia para o Alargamento, a eslovena Marta Kos, cancelou uma visita prevista à Sérvia, um dos países candidatos à adesão à União Europeia, devido à decisão do país de enterrar com honras de Estado o ex-comandante sérvio-bósnio Ratko Mladic, conhecido como “o carniceiro da Bósnia” e condenado em 2017 por crimes de guerra e contra a humanidade, entre eles o massacre de Srebrenica.
Em uma mensagem nas redes sociais, a comissária lembrou que Mladic “foi condenado por genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra”, pelo que o retorno de seus restos mortais a Belgrado “traz à Europa as páginas mais sombrias de nossa história recente”.
“A glorificação em torno de sua morte é incompatível com os valores sobre os quais se constrói o caminho da UE. Esse caminho exige o enfrentamento do passado, uma reconciliação genuína e o respeito às vítimas dos crimes de guerra”, afirmou ela, acrescentando que os valores que sustentam o “futuro comum não são negociáveis”.
Nesse contexto, ela anunciou que não seguirá adiante “neste momento” com sua visita planejada à Sérvia, uma vez que as autoridades do país iniciaram os preparativos para a celebração do funeral do ex-comandante, falecido em 27 de agosto enquanto cumpria pena em uma prisão em Haia.
O corpo chegou nesta quinta-feira ao aeroporto da capital, Belgrado, em um avião do governo, e foi recebido por membros do Exército da Sérvia. Seu caixão foi coberto com as bandeiras da Sérvia e da República Srpska, entidade de maioria sérvia que compõe a Bósnia e Herzegovina. Posteriormente, os soldados transferiram o caixão para o veículo que transportou os restos mortais até a Academia Médica Militar.
O presidente sérvio, Aleksandar Vucic, destacou nesta quinta-feira que as autoridades se encarregarão de “fornecer todo tipo de apoio, logística e transporte” para “preservar a ordem pública, a paz e a segurança” durante o funeral de Mladic, conhecido como “o carniceiro da Bósnia” e condenado em novembro de 2017 por crimes cometidos durante a Guerra da Bósnia (1992-1995).
Mladic — condenado pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIY) após ser declarado culpado de dez acusações, entre elas a de genocídio em Srebrenica, em julho de 1995 —. Sua morte ocorreu “enquanto ele estava internado em Haia”, segundo o referido órgão.
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