FRANCOIS LENOIR /EUROPEAN COUNCIL - Arquivo
BRUXELAS, 4 ago. (EUROPA PRESS) -
O comissário europeu para Assuntos Internos e Migração, Magnus Brunner, afirmou nesta terça-feira que a União Europeia “superou o desafio” após a crise migratória em Ceuta, ao conseguir controlar a situação e evitar movimentos em direção ao restante do espaço Schengen, embora tenha defendido que o episódio exige que se tirem “as lições corretas” e se acelere a aplicação das novas políticas europeias em matéria de fronteiras e migração.
“Por enquanto, está claro que a Europa superou o teste. Essas pessoas não conseguiram acessar o Espaço Schengen e a segurança na fronteira foi restabelecida rapidamente. Agora, o fundamental para a União Europeia é agir de forma unida e também tirar as conclusões corretas desses acontecimentos”, afirmou o político austríaco durante a coletiva de imprensa após a reunião extraordinária dos ministros do Interior da UE.
Brunner destacou que o ministro espanhol, Fernando Grande-Marlaska, confirmou durante o encontro que a situação está “sob controle”, que “ninguém entrou no território continental da Espanha” e que o espaço de livre circulação dentro da União “não foi afetado”, ao mesmo tempo em que atribuiu esse resultado à cooperação entre a Espanha, o Marrocos e as instituições europeias.
“A Europa nunca teve tanto controle sobre a migração ilegal nas últimas décadas”, afirmou o comissário, que alertou, no entanto, que o ocorrido em Ceuta demonstra que “essas imagens dramáticas superam as melhores estatísticas” e que, em sua opinião, o episódio colocou à prova a resiliência europeia e a proteção das fronteiras externas, razão pela qual defendeu o reforço da resposta comum diante desse tipo de situação.
Com base nessa experiência, Brunner defendeu que a prioridade é aplicar “integralmente” o novo Pacto de Migração e Asilo e o regulamento europeu de retornos, com procedimentos de fronteira e repatriações “mais ágeis”, além de aproveitar instrumentos como o conceito de “país terceiro seguro”, que permite tramitar pedidos de proteção internacional fora da UE em determinadas condições.
Da mesma forma, ele defendeu o desenvolvimento do plano de cinco medidas proposto pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que inclui reforçar a cooperação com os países de origem e de trânsito, acelerar os retornos, ampliar o apoio da Frontex nas fronteiras externas e em países terceiros, implantar sistemas de alerta precoce contra campanhas de desinformação e movimentos coordenados e reforçar a luta contra as redes de tráfico de migrantes.
Nesse contexto, o comissário confirmou ainda que Bruxelas está negociando com o Marrocos um acordo de associação “abrangente”, no qual a migração constitui “um dos elementos centrais”, embora tenha dissociado essas negociações dos acontecimentos registrados em Ceuta e tenha insistido que a cooperação com Rabat se mostrou “importante” para restabelecer o controle da situação e facilitar o rápido retorno daqueles que cruzaram a fronteira de forma irregular.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático