Publicado 18/09/2026 08:49

Bruxelas admite que o status de “membro associado” do Canadá ainda precisa ser definido e esclarece que não se trata de uma adesão

17 de setembro de 2026, Estrasburgo, França: O primeiro-ministro Mark Carney é recebido pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ao chegar para discursar no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, França, na quinta-feira, 17 de setembro de
Justin Tang / Zuma Press / Europa Press

A cúpula UE-Canadá no final de outubro será o primeiro encontro para começar a definir o escopo da proposta de Von der Leyen

BRUXELAS, 18 set. (EUROPA PRESS) -

A Comissão Europeia admitiu nesta sexta-feira que o status de “membro associado” da União Europeia, proposto pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para o Canadá ainda precisa ser definido, ao mesmo tempo em que esclareceu que essa nova fórmula não equivale a uma adesão ao bloco comunitário.

“No momento, temos uma ideia. Vamos ver aonde essas conversas nos levarão”, afirmou o porta-voz adjunto do Executivo comunitário, Olof Gill, que explicou que Bruxelas continuará trabalhando com os Estados-membros e o Canadá para “dar forma a essa ideia” e explorar os “parâmetros” dessa nova relação com Ottawa.

Nesse sentido, Gill apontou a cúpula UE-Canadá, que será realizada no final de outubro, como “a primeira oportunidade real de manter conversas políticas de fundo” sobre o assunto, na qual será abordado o fortalecimento das relações tanto com os Estados-membros quanto com o país liderado por Mark Carney.

“Esta será a primeira oportunidade real de manter conversas políticas de fundo, nas quais exploraremos com o Canadá os parâmetros para fortalecer nossa relação, dando forma a essa ideia grandiosa, ousada e bela, e vendo como podemos levá-la adiante”, indicou o porta-voz da União Europeia.

Ele prosseguiu pedindo que, como por enquanto se trata de “uma ideia”, se observe “para onde essas conversas estão indo”, uma vez que há “um compromisso compartilhado entre a União Europeia e o Canadá de fortalecer” suas relações “em benefício mútuo, no próprio interesse de ambas as partes”. “Esse trabalho continuará avançando nos bastidores, em nível técnico, com vistas à cúpula UE-Canadá”, insistiu.

JÁ SE ESTAVA TRABALHANDO COM OS VINTE E SETE

Questionado sobre se os Vinte e Sete não estavam a par da proposta de Von der Leyen, ele respondeu que se trata de “um projeto muito ambicioso” que também é desejado pelos Estados-membros e que “é claro” será levado adiante “em coordenação com nossos Estados-membros”.

Bruxelas confirmou ainda que a iniciativa anunciada nesta semana por Von der Leyen havia sido apresentada e discutida previamente com os Estados-membros “em várias ocasiões” e que se baseia também nos contatos mantidos nos últimos meses com as autoridades canadenses.

“As grandes mudanças na União Europeia só ocorrem com a aprovação de nossos Estados-membros, e isso sempre será assim. E, se me permitirem lembrar, a cúpula também está sendo organizada com a participação do Conselho Europeu, com (António) Costa, e, é claro, estamos trabalhando também com a equipe do Conselho (Europeu) para preparar essa importante cúpula no final de outubro”, acrescentou.

Nesse sentido, ele evitou responder se essa proposta de “membro associado” abre as portas para que outros países, como a Austrália ou a Nova Zelândia, obtenham o mesmo status, argumentando que, por enquanto, “a única coisa” em que a Comissão está focada é ver como cumprir o compromisso de Von der Leyen “de elevar as relações entre a UE e o Canadá ao nível mais alto possível”.

NÃO EQUIVALE A UMA ADESÃO

A Comissão quis deixar claro que essa nova fórmula não deve ser confundida com uma eventual adesão do Canadá à União Europeia, lembrando que os Tratados da UE reservam essa possibilidade aos Estados europeus.

“Precisamos fazer uma distinção e é importante sermos precisos”, ressaltou Gill, que lembrou que o artigo 49 do Tratado da União Europeia estabelece que qualquer “Estado europeu” que respeite os valores comunitários e se comprometa a promovê-los pode solicitar a adesão ao bloco.

Por outro lado, explicou que a proposta de abrir as portas para que o Canadá se torne um “membro associado” foi concebida para um “país parceiro” que não seja um Estado europeu, diferenciando assim essa fórmula da via de adesão prevista nos tratados.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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