Publicado 05/08/2026 00:22

O Brasil “repudia” a revogação do visto de sua embaixadora nos EUA

O Executivo brasileiro critica o governo Trump por uma “escalada deliberada de medidas hostis motivadas por razões ideológicas”

Archivo - Arquivo - 2 de maio de 2023, Brasília, Distrito Federal, Brasil: (INT) O presidente do Brasil realiza reunião no Itamaraty, em Brasília. 2 de maio de 2023. Brasília, Distrito Federal, Brasil: O presidente da República Federativa do Brasil, Luiz
Europa Press/Contacto/Frederico Brasil - Arquivo

MADRI, 5 ago. (EUROPA PRESS) -

O governo do Brasil declarou nesta terça-feira que “repudia” a revogação do visto de sua embaixadora nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, depois que as autoridades brasileiras adiaram a aprovação do candidato indicado por Washington para chefiar a missão diplomática dos Estados Unidos em Brasília, que defendeu o tempo dedicado à análise desse caso, bem como a recusa do visto, dias antes, a dois funcionários do Departamento de Estado que iriam viajar para o país sul-americano.

“O Governo do Brasil repudia a decisão anunciada hoje pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos de alterar o visto da embaixadora do Brasil em Washington”, diz a nota publicada pelo Executivo brasileiro em resposta ao órgão diplomático norte-americano.

Este último alegou que aprovará novamente o visto da diplomata brasileira assim que o país sul-americano aprovar Daniel Pérez como embaixador dos Estados Unidos em Brasília. O Departamento, liderado por Marco Rubio, solicitou autorização ao Brasil para nomear Pérez como seu representante diplomático, mas o fez um mês após tornar pública a nomeação, o que provocou descontentamento no Palácio do Planalto.

De fato, o Executivo brasileiro criticou em seu comunicado essa forma de agir, lembrando que “o processo de ‘agrément’ (o consentimento prévio e confidencial que um Estado receptor concede a outro para aceitar seu candidato a chefe de missão diplomática) é confidencial, e o nome do candidato só deve ser divulgado publicamente após a concessão da aprovação, conforme estipulado no Artigo 4º da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”.

Além disso, defendeu o tempo dedicado à análise do caso, indicando que “a Convenção de Viena não estabelece nenhum prazo para a concessão do agrément” e que “o pedido dos Estados Unidos ainda está em análise”. “O Brasil rege-se estritamente pelo Direito Internacional”, ressalta o texto.

Por outro lado, Brasília justificou a recusa do visto, dias antes, a dois funcionários do Departamento de Estado que iriam viajar ao país para debater sobre a liberdade de expressão no contexto das eleições, conforme afirmado inicialmente por Washington, embora o jornal “The Washington Post” tenha revelado que os subsecretários do Departamento, Riley M. Barne e Samuel D. Samson, pretendiam semear dúvidas sobre o sistema de votação eletrônica do país antes das eleições de outubro.

“Os dois funcionários do governo dos Estados Unidos a quem foram negados os vistos de entrada no Brasil planejavam visitar o país para questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, em uma tentativa inaceitável de interferir no processo político nacional”, protestou o Palácio do Planalto a esse respeito.

O Executivo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão do governo de Donald Trump como “parte de uma escalada deliberada de medidas hostis contra o Brasil, motivada por razões ideológicas incompatíveis com uma relação bilateral que sempre se baseou no respeito mútuo”.

Refere-se, assim, a uma relação marcada por sanções, tarifas e retaliações impostas por Washington devido ao julgamento por tentativa de golpe de Estado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, ao impulso dado por Brasília ao sistema de pagamentos Pix — que, segundo Washington, afeta fornecedores norte-americanos — ou as medidas para responsabilizar as plataformas de redes sociais pelos conteúdos publicados nelas.

“Vale lembrar que as sanções individuais contra autoridades brasileiras continuam em vigor, em particular o cancelamento de vistos americanos, com base na acusação infundada de perseguição política contra o ex-presidente Bolsonaro”, observou o governo do Brasil, ressaltando que “entre esses funcionários estão magistrados do Supremo Tribunal Federal e altos cargos do Poder Executivo”.

Entre eles está o juiz do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, um dos alvos do golpe de Estado fracassado liderado por Jair Bolsonaro e figura de destaque no processo judicial resultante, bem como em outros processos contra o ex-presidente e seu filho Eduardo Bolsonaro, que fugiu para os Estados Unidos.

“O governo brasileiro não poupou esforços para resolver essas divergências”, ressalta o documento, que relata que “o próprio presidente Lula, durante sua visita a Washington em maio passado, solicitou, entre outros assuntos, ao presidente Trump que suspendesse as sanções individuais”.

Além disso, Brasília observou que “o interesse injustificado em interferir nas próximas eleições presidenciais também é evidente”. Nessas eleições, Lula enfrentará, entre outros, o ultradireitista Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, que já recebeu o apoio de Washington.

“Em consonância com sua tradição diplomática, o governo brasileiro se opõe a abordagens de confronto e reitera seu compromisso com o diálogo e a negociação em todas as suas relações internacionais”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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