Carlos Luján - Europa Press
Vieria está confiante de que a Rússia será representada "no mais alto nível possível" na próxima cúpula do BRICS no Rio de Janeiro.
Ele considera "excelente" que os governos da Espanha e do Brasil coincidam ideologicamente depois de elevar as relações bilaterais ao nível de cúpulas entre presidentes.
MADRID, 18 fev. (EUROPA PRESS) -
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, está confiante de que as ameaças tarifárias feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não se concretizarão e enfatizou que trabalharão com a nova administração como antes, por meio da diplomacia, mas defendendo os interesses do povo brasileiro.
"A diplomacia é a base das posições do Brasil no mundo. Sempre fomos orientados dessa forma, para o multilateralismo, e esperamos continuar nessa linha", disse Vieira em entrevista à Europa Press na terça-feira.
Vieira explicou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está analisando as medidas a serem adotadas caso a administração Trump imponha um aumento nas tarifas sobre o aço e o alumínio, ao mesmo tempo em que mantém conversações com as novas autoridades norte-americanas.
"Não queremos iniciar uma guerra comercial", disse ele, enfatizando a "importância" de continuar a manter relações econômicas com um parceiro como os Estados Unidos, apesar das diferenças, e lembrando que desafios semelhantes surgiram durante a administração de Joe Biden, que foram tratados "muito bem".
Vieira, no entanto, disse que ainda não há planos para qualquer tipo de reunião no mais alto nível entre os dois governos, seja entre os dois presidentes ou entre ele e seu colega americano, Marco Rubio. "É claro que estamos sempre prontos para ter contatos", disse ele.
O chefe da diplomacia brasileira enfatizou que, diante do protecionismo vindo do Norte, as relações comerciais como as do Mercosul com a União Europeia estão assumindo uma importância renovada, especialmente, explicou ele, depois que o novo governo de Lula revisou acordos que eram "muito ruins" para as partes.
"Acho que agora conseguimos um acordo excelente, equilibrado, moderno, muito avançado, que trará muitos benefícios para ambas as partes (...) Atualizamos muito o acordo porque havia um texto que havia sido negociado às pressas durante o governo anterior (...) Era muito desequilibrado", explicou.
Esses acordos, enfatizou ele, são "como uma rede de segurança", bem como "o sinal mais claro de que a integração, a consulta e a diplomacia são a melhor solução para promover o entendimento entre os países".
HARMONIA COM A ESPANHA
Vieira esteve em Madri nos últimos dias para ratificar com as autoridades espanholas a decisão de elevar as reuniões entre os dois países a reuniões de cúpula entre presidentes, tornando o Brasil o primeiro país latino-americano com o qual a Espanha realizará esse tipo de encontro no mais alto nível.
"Acho que esse é o sinal mais claro da importância das relações do ponto de vista político", disse Vieira, destacando as boas relações entre Lula e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. "Eles se conhecem muito bem, se falam muito por telefone, têm muito contato", revelou.
"A aliança entre Brasil e Espanha é natural e sempre foi muito boa. É excelente que as posições políticas dos dois governos progressistas, que se preocupam com as questões sociais de seus respectivos povos, coincidam neste momento", disse ele.
Ele também destacou o impacto econômico que essa nova fase do relacionamento pode ter para os dois países, já que a Espanha, segundo ele, é o segundo maior investidor no Brasil. "As maiores empresas espanholas estão no Brasil. Há cerca de mil empresas espanholas no Brasil", enfatizou.
OS BRICS E A PRESENÇA DE PUTIN NO RIO
Com relação à próxima cúpula do BRICS, a ser realizada em julho no Rio de Janeiro, o ministro das Relações Exteriores do Brasil está confiante de que o presidente russo, Vladimir Putin, "como membro fundador desde o início", poderá comparecer, apesar de o mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) ainda estar em vigor.
"É claro que, se ele vier ao Brasil, se quiser vir, será recebido", disse. No entanto, ele optou por desassociar essa cúpula de economias emergentes de qualquer conexão com o mandado de prisão do TPI aberto por possíveis crimes de guerra relacionados ao deslocamento forçado de menores durante a guerra na Ucrânia.
"Essa é uma questão totalmente diferente, existe uma ordem internacional, mas é outra questão que temos que discutir, o importante é ter essa reunião do BRICS e ter a presença da Rússia, que é muito importante", disse ele.
"O que esperamos é que a Rússia seja representada no mais alto nível possível", acrescentou.
VOOS DE DEPORTADOS
Outro dos pontos de atrito entre Brasília e Washington está relacionado ao estado em que viajaram os passageiros dos voos de deportação que chegaram ao Brasil durante a administração Trump. Uma medida, explicou, que remonta a 2019, embora "nunca com o governo do presidente Lula", esclareceu.
Após o "problema" do primeiro voo que chegou ao Brasil há três semanas, com dezenas de passageiros algemados, Vieira explicou que o governo começou a "lidar mais diretamente" com Washington para que esses eventos não se repitam. "Até então, achávamos que tudo estava correndo bem", disse ele.
"Qualquer país tem o direito soberano de dizer quem fica e quem não fica, se está documentado ou não, mas o Brasil acolhe todos os cidadãos e trabalhamos para garantir que os direitos humanos, a dignidade e a atenção que deve ser dada às pessoas sejam respeitados", disse.
Na próxima semana, disse ele, o Brasil, que tem dois milhões de cidadãos nos Estados Unidos, receberá outro voo com cerca de 100 pessoas. De acordo com estimativas do governo, há cerca de 30.000 brasileiros que estão em processo de retorno por não terem todos os documentos em ordem.
LULA 2026 E A DENÚNCIA CONTRA BOLSONARO
Na política interna, e tendo em vista a possível denúncia que o Ministério Público brasileiro lançará nesta semana contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por golpe de Estado, em relação aos ataques às instituições em 8 de janeiro de 2023, Vieira lembra que é "obrigação de todos os cidadãos" cumprir o sistema de justiça.
"O Brasil é uma república com total independência entre os poderes e isso está nas mãos da Justiça, a decisão tomada pela Justiça será implementada e a obrigação de todos os cidadãos é cumprir as decisões de cada um dos poderes, especialmente da Justiça", concluiu.
Ele também acredita que Lula, "sem dúvida", continuará a ser "uma força política muito importante" para o Brasil nos próximos anos, quando se especula se ele será candidato novamente em 2026. "Acredito que o resultado de seu governo será muito positivo", disse. "Ele é o único brasileiro que teve três mandatos democráticos", ressaltou.
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