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MADRID 16 jul. (EUROPA PRESS) -
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil voltou a denunciar na terça-feira a interferência do governo dos Estados Unidos, depois que este último reiterou no dia anterior suas acusações contra as autoridades brasileiras por ataques contra o ex-presidente Jair Bolsonaro - acusado de liderar a organização criminosa por trás da tentativa de golpe perpetrada em janeiro de 2023 - declarações que considerou "incompatíveis com as relações de respeito e amizade" entre os dois países.
"O governo brasileiro, mais uma vez, lamenta e repudia as declarações do Departamento de Estado e da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, que constituem uma nova interferência indevida e inaceitável em assuntos de competência do Poder Judiciário brasileiro. Tais declarações são incompatíveis com a relação de respeito e amizade de 200 anos entre os dois países", disse em um comunicado.
A pasta diplomática denunciou assim a "politização errônea" de Washington sobre as tarifas, depois que o governo de Donald Trump justificou parcialmente o aumento de seu imposto sobre produtos do Brasil por causa das acusações contra o líder de extrema direita.
Nesse sentido, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil reiterou que sua "soberania não está e nunca estará sobre a mesa em qualquer negociação", depois de defender que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vem "negociando com as autoridades norte-americanas desde março questões tarifárias de interesse mútuo e está disposto a continuar esse diálogo, em benefício das economias, setores produtivos e populações de ambos os países".
Essas declarações vêm depois que o subsecretário de diplomacia pública do Departamento de Estado dos EUA, Darren Beattie, relembrou na rede social X a carta do presidente Trump, na qual ele impôs "consequências há muito esperadas ao Supremo Tribunal Federal e ao governo Lula por seus ataques a Jair Bolsonaro, à liberdade de expressão e ao comércio dos EUA".
"Tais ataques são uma vergonha e estão muito abaixo da dignidade das tradições democráticas do Brasil", ressaltou em mensagem repercutida pela Embaixada dos EUA em Brasília.
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