Publicado 19/08/2025 02:11

Brasil convoca EUA para diálogo e defende suas práticas comerciais "não discriminatórias"

BRASÍLIA, 14 de agosto de 2025 -- O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa na cerimônia de lançamento da iniciativa Brasil Soberano em Brasília, Brasil, 13 de agosto de 2025.   O Brasil lançou na quarta-feira um pacote de medidas para ap
Europa Press/Contacto/Lucio Tavora

MADRID 19 ago. (EUROPA PRESS) -

O governo brasileiro pediu nesta segunda-feira às autoridades norte-americanas que reconsiderem a abertura de uma investigação sobre as práticas comerciais do país ibero-americano, uma decisão que Washington anunciou em meados de julho, depois de impor tarifas de 50% a Brasília, no que as autoridades brasileiras consideram alegações "impróprias".

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil fez essa solicitação em um relatório enviado na segunda-feira ao Departamento de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR) que "comprova que as políticas brasileiras sob investigação são transparentes, não discriminatórias e estão em total conformidade com as melhores práticas internacionais e com as obrigações do país na Organização Mundial do Comércio (OMC)".

A pasta diplomática brasileira, portanto, pediu às autoridades norte-americanas que optem pelo diálogo: "O Brasil permanece aberto a consultas e reafirma seu compromisso de resolver as questões comerciais por meios cooperativos e legais".

No entanto, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva reiterou que não reconhece "a validade ou a jurisdição" de uma ação tomada pela administração de Donald Trump fora da OMC.

O governo dos EUA anunciou em meados de julho que estava abrindo uma investigação sobre as práticas comerciais do Brasil para determinar se elas restringem injustamente as exportações dos EUA para o país sul-americano em seis áreas: comércio digital, tarifas preferenciais injustas, aplicação anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, vendas de etanol e desmatamento ilegal.

O USTR alega, entre outras coisas, que "o Brasil pode minar a competitividade das empresas norte-americanas que operam nesses setores, por exemplo, retaliando-as por não censurarem o discurso político", em referência à decisão da Suprema Corte do país sul-americano no final de junho, que responsabiliza as plataformas de mídia social por publicações ilegais de seus usuários.

Por outro lado, o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado destacou Alexandre de Moraes - que impôs limitações à atividade das plataformas de mídia social dos EUA no país latino-americano e também é o relator do processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por um golpe de Estado - como "tóxico para todas as empresas e indivíduos legítimos que buscam acesso aos Estados Unidos e seus mercados".

Em um comunicado publicado em sua conta na rede social X, a agência norte-americana também defendeu que "nenhum tribunal estrangeiro pode anular as sanções dos EUA ou isentar alguém das graves consequências de violá-las" e alertou que "cidadãos não americanos devem ter cautela: aqueles que fornecem apoio material a violadores de direitos humanos enfrentam o risco de sanções".

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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