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Milei chama Lula de “progressista machista” por causa de declarações sobre a jornada de trabalho e o trabalho doméstico das mulheres
MADRI, 21 out. (EUROPA PRESS) -
O governo do Brasil condenou veementemente as recentes declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, classificando-as como uma “tentativa inaceitável de ingerência externa” em seu processo democrático, depois que o presidente argentino colocou em dúvida a imparcialidade do sistema de votação eletrônica brasileiro a poucos dias da realização das eleições no país.
O conflito diplomático foi desencadeado a partir de uma mensagem publicada por Milei em suas redes sociais, na qual ele chamou de “progressista machista” o presidente cessante e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, por causa de declarações do governante brasileiro sobre a recente redução da semana de trabalho no país. “Não podemos continuar com um regime de trabalho em que as pessoas trabalham seis dias e descansam apenas um. E, no caso das mulheres, o dia em que ficam em casa é, na verdade, o dia em que mais trabalham, porque precisam limpar a casa de toda a semana”, disse Lula.
Em seguida, o chefe de Estado argentino fez uma advertência sobre as iminentes eleições brasileiras de 25 de outubro: “Espero que seu último truque de campanha suja não inclua roubar a eleição... ladrão de esquerda”.
Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu um comunicado denunciando que essas “ofensas”, dirigidas diretamente contra o Poder Judiciário e o sistema eleitoral, representam uma “manifestação antidemocrática” que se mostra “desequilibrada e não condiz com a postura que deve ter o chefe de Estado de um país amigo”.
A diplomacia brasileira repreendeu Milei, afirmando que suas palavras não passam de “repetição das mentiras divulgadas por aqueles que perderam as eleições e protagonizaram o golpe militar fracassado de quatro anos atrás”, em uma clara alusão aos setores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Diante das acusações, o Executivo brasileiro saiu em defesa de seu sistema de votação eletrônica, ressaltando que “ele se mostrou seguro e nunca registrou irregularidades”, fato que, segundo o Ministério, já foi confirmado pelos observadores eleitorais internacionais presentes durante o primeiro turno.
“A decisão sobre o futuro do Brasil cabe exclusivamente ao povo brasileiro, que se expressará livremente nas urnas, sem qualquer tipo de interferência externa, no domingo, dia 25”, conclui o texto do governo.
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