Europa Press/Contacto/Leco Viana, Leco Viana
MADRID, 1 abr. (EUROPA PRESS) -
O ministro da Economia do Brasil, Fernando Hadad, disse na terça-feira que acharia "estranho" se as novas tarifas anunciadas pelo governo de Donald Trump, que podem entrar em vigor na quarta-feira, afetassem suas exportações.
"Achariamos estranho se o Brasil sofresse algum tipo de retaliação injustificada, uma vez que nos sentamos para negociar com eles justamente para tornar nossa cooperação cada vez mais forte", disse o ministro brasileiro durante sua visita de trabalho a Paris.
Haddad explicou que o governo não terá mais informações até quarta-feira, quando as novas tarifas que Trump pretende impor às exportações americanas para fortalecer sua própria indústria devem entrar em vigor.
Um argumento que Haddad questionou, lembrando as recentes palavras do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nas quais ele advertiu que, se Trump impuser medidas protecionistas, "o mundo corre o risco de crescer menos" e, com isso, a produtividade da própria economia norte-americana.
"Neste momento, não podemos prever quais serão as reações do mundo a essas políticas, quando nem sabemos o que ele anunciou", disse ele, segundo o jornal 'O Globo'.
Embora os detalhes da nova demanda de Washington não estejam claros, no caso do Brasil, Trump sugeriu que uma política de reciprocidade seria adotada, citando o etanol como um exemplo de disparidade entre as taxas de importação.
Assim, o etanol brasileiro seria tributado à taxa brasileira de 18%, enquanto a taxa dos EUA é de 2,5%.
MEDIDAS DE RECIPROCIDADE
Por outro lado, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou na terça-feira um projeto de lei para aplicar medidas de reciprocidade às tarifas estrangeiras aplicadas às exportações brasileiras.
O texto, que agora será debatido pela Câmara dos Deputados, fornece ferramentas legais para o governo responder a qualquer tipo de dano comercial, incluindo critérios ambientais mais rígidos.
Os responsáveis pelo texto esclareceram que não se trata de uma "retaliação" contra os Estados Unidos, mas sim de uma "proteção" que abrange todos os mercados para garantir a segurança das exportações brasileiras.
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