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Renuncia ao cargo enquanto Jerí é investigado por tráfico de influências e o Congresso reúne assinaturas para poder debater uma moção de censura MADRID 12 fev. (EUROPA PRESS) -
Stephany Vega, braço direito do presidente do Peru, José Jerí, apresentou nesta quarta-feira sua renúncia “voluntária e irrevogável” ao cargo no gabinete da presidência do Conselho de Ministros, menos de quatro meses após assumir o cargo, alegando “a intensa exposição pública e os constantes questionamentos da mídia”.
“Esta situação não só afetou minha imagem profissional, mas também causou um impacto na minha estabilidade emocional e na tranquilidade da minha família, que se viu exposta a uma pressão que não lhes cabe. Além disso, é evidente que por trás de muitas dessas acusações existem interesses e posições que não apenas divergem, mas também contrariam abertamente os princípios, a formação e os valores com os quais conduzi minha vida pessoal e profissional”, afirmou em sua carta de demissão, divulgada pela rede peruana RPP.
A sua demissão surge num novo pico de pressão política sobre Jerí, investigado por tráfico de influências devido aos seus encontros clandestinos com empresários chineses e também pela contratação de cinco supostas pessoas próximas, entre as quais não estaria Vega.
No entanto, a até então responsável pela Alta Direção do Gabinete da Presidência do Conselho de Ministros (PCM) foi objeto, em novembro passado, de uma reportagem do programa Panorama, da rede Panamericana, na qual se relatava que entre 2021, quando começou a trabalhar no Congresso, e 2025, quando ingressou como assessora no PCM, seu salário aumentou de 1.558 para 16.000 soles peruanos (de 390 para 4.000 euros), além da compra de um carro de luxo e um apartamento.
Além disso, a reportagem destacava sua proximidade com Jerí com base em sua presença, gravada, em uma festa em 2021 ao lado do atual presidente, bem como sua promoção em 2023 como assessora da Comissão de Orçamento do Congresso, que era presidida pelo líder peruano.
REUNIDAS AS ASSINATURAS PARA DEBATER A MOÇÃO DE CENSURA CONTRA JERÍ
A renúncia de Vega ocorreu em um dia em que o partido Aliança para o Progresso anunciou sua adesão ao pedido de uma sessão plenária de urgência para debater uma moção de censura contra Jerí, como havia feito, horas antes, o líder do Podemos Perú, José Luna Gálvez.
Desta forma, seria ultrapassado o limite de 78 assinaturas exigido pelo regimento do Congresso para poder registrar o pedido. O próximo passo seria a apresentação do pedido ao presidente da Câmara, Fernando Rospigliosi, que dispõe de um prazo de 15 dias para convocar os deputados.
Se a petição das duas formações citadas for aprovada, Jerí enfrentaria sua oitava moção de censura desde que assumiu a Presidência do Peru em outubro de 2025, substituindo Dina Boluarte, destituída entre acusações de corrupção e o aumento da violência no país andino.
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