Publicado 05/04/2025 07:39

Borrell vê a viagem de Netanyahu à Hungria como "difícil" para defender o direito internacional na UE

Ele questiona o apoio "incondicional" da maioria dos países europeus a Israel.

O Presidente da Cidob e ex-Alto Representante da União Europeia para Política Externa, Josep Borell, em declarações à mídia.
EUROPA PRESS

BARCELONA, 5 abr. (EUROPA PRESS) -

O presidente do CIDOB e ex-alto representante da União Europeia para Política Externa, Josep Borell, assegurou neste sábado que a UE terá "mais dificuldade" para defender o direito internacional após a viagem do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à Hungria nesta semana.

Falando na conferência "Guerra e Paz no Século XXI. O futuro do Oriente Médio", organizada pelo Cidob no Palau de Pedralbes, em Barcelona, Borrell disse que "o mínimo que a Hungria poderia fazer" é deixar o TPI, depois de não conseguir prender Netanyahu durante sua visita ao país.

Ele se perguntou o que aconteceria se o presidente russo Vladimir Putin visitasse a Hungria e se ele seria ou não preso: "Isso deixa a Europa em uma situação ruim", lamentou Borrell.

EUROPA DIVIDIDA

Ele disse que a Europa está muito dividida em relação ao conflito israelense-palestino e que "a maioria dos países europeus está mais disposta a ajudar Israel, independentemente do que ele faça, do que a estabelecer limites".

"A Europa é dominada pela má consciência do Holocausto, há países que dizem que devemos apoiar Israel incondicionalmente por causa do que eles fizeram com os judeus. Eles são prisioneiros dessa culpa, do sentimento de culpa histórica", argumentou Borrell, que criticou esse apoio incondicional.

Ele afirmou que Israel tem o direito de existir e de se defender e que o Hamas é um grupo terrorista e que seus ataques são condenáveis, mas perguntou: "Isso justifica a morte de 150.000 pessoas? Isso justifica a destruição total e radical de uma sociedade? Acho que não e acho que a Europa teria que dizer não".

Ele acredita que os países europeus estão errados e disse que esse apoio incondicional "permitiu que Israel continuasse a travar uma guerra de uma forma que é uma violação absoluta da lei internacional, da lei da guerra".

HAMAS E OS PALESTINOS

Perguntado se acreditava que o Hamas poderia se tornar um partido político, Borell respondeu que "já houve personalidades políticas muito importantes em Israel que eram membros de uma organização terrorista", referindo-se à organização paramilitar judaica Haganah.

Borrell afirmou que "transformações acontecem" e acrescentou que não sabe o que acontecerá nesse caso, mas pediu que os palestinos não se confundam com o Hamas, já que esse grupo é uma expressão de parte do povo palestino, mas não de todos os palestinos, esclareceu.

"Também não devemos nos esquecer de que o Hamas recebeu financiamento por muitos anos graças à permissividade de Netanyahu", enfatizou Borrell, e pediu que todos sejam colocados em seus lugares.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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