Juanma Serrano - Europa Press - Arquivo
SANTANDER, 25 ago. (EUROPA PRESS) -
O ex-Alto Representante da União Europeia para Assuntos Externos e Política de Segurança, Josep Borrell, acredita que "alguém teria que agir judicialmente para fazer com que as instituições europeias façam o que devem fazer" diante do "massacre" em Gaza, já que "não estão fazendo nada" e Israel "não está cumprindo" os direitos humanos.
Ele advertiu que, se a Europa não tomar nenhuma medida concreta contra Israel, o "descrédito" "continuará a cair" aos olhos do resto do mundo e a "desqualificará" para qualquer política de defesa dos direitos humanos.
Foi o que Borrell disse na segunda-feira em declarações à imprensa, por ocasião do curso 'Quo Vadis Europa' que ele está dirigindo esta semana na Universidade Internacional Menéndez Pelayo, em Santander.
Borrell destacou que as questões sobre o futuro da Europa são "mais urgentes e mais importantes do que nunca" porque "as coisas mudaram muito, e para pior, no último ano". Em sua opinião, a situação é "muito séria, muito preocupante" e "vai condicionar nosso futuro".
Em particular, ele destacou o "escândalo absoluto" do que está acontecendo em Gaza, onde "centenas de milhares" de cidadãos estão sendo "massacrados" e estão "morrendo de fome".
O "massacre" em Gaza "deveria mexer com a consciência do mundo inteiro" e, ainda assim, as instituições europeias "não estão fazendo nada, literalmente nada". "Eles dizem que talvez apresentem uma proposta para estabelecer algum tipo de sanção, mas depois não o fazem", criticou.
Ele advertiu que a situação chegou a tal "extremo" que, se a Europa não tomar alguma medida concreta contra Israel "pelo que está fazendo", não é que ela "perderá sua alma", porque "já a perdeu", mas sim que o "descrédito" do projeto europeu "continuará a cair sobre o resto do mundo e nos desqualificará para realizar qualquer política de defesa dos direitos humanos".
"Acredito que alguém deveria tomar medidas legais para que as instituições europeias façam o que devem fazer, já que parece que não querem fazê-lo", insistiu, ao mesmo tempo em que reiterou que "está claro que Israel está violando os direitos humanos" e "o Tratado nos obriga a agir, não é opcional".
"Algum Estado deve fazer isso, alguma organização civil ou alguém legítimo deve colocar suas cartas na mesa", disse ele.
Em sua opinião, "o que está acontecendo em Gaza é uma tragédia absolutamente inaceitável para o mundo, e somente as opiniões públicas dos países desenvolvidos, aqueles que dão armas a Israel, aqueles que o alimentam, aqueles que o apoiam, podem impedir que isso vá adiante".
RELACIONAMENTO "CONTURBADO" COM OS EUA
Por outro lado, Borrell explicou que, durante o curso, também será discutida a relação da Europa com os Estados Unidos, uma relação "conflituosa" que resultou em "uma imposição" sobre o comércio que "terá consequências econômicas".
A guerra na Ucrânia e o pacto nuclear com o Irã também serão discutidos, bem como a posição da Europa.
Borrell acredita que os presidentes da Rússia e dos EUA, Vladimir Putin e Donald Trump, "concordaram com algo entre eles" e que, se o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, tivesse ido sozinho à reunião na Casa Branca, "eles certamente teriam colocado uma proposta inaceitável sobre a mesa".
No entanto, ele acredita que, como Zelensky estava "acompanhado pelos europeus", "o presidente Trump retraiu um pouco sua abordagem para ocasiões futuras, mas o problema ainda está lá".
Para o ex-alto representante da UE, "está claro que Putin quer um pedaço do território da Ucrânia" e "Trump está mais próximo de Putin do que da Europa".
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