MADRID 4 ago. (EUROPA PRESS) -
O ex-Alto Representante da União para Assuntos Externos e Política de Segurança, Josep Borrell, considerou que a “solidariedade” da União Europeia “morreu” com a crise migratória vivida por Ceuta nos últimos dias, lamentando a falta de consideração para com a Espanha, que sofreu um “ataque híbrido”.
“Sinto uma grande frustração ao ver como a solidariedade europeia morreu em Ceuta, porque alguns países colocaram seus interesses eleitorais nacionais à frente do exercício da solidariedade europeia”, analisou Borrell em entrevista à ‘Cadena Ser’, divulgada pela Europa Press, ao avaliar a resposta recebida de alguns Estados-membros em relação à crise migratória vivida na cidade autônoma.
Nesse sentido, o ex-ministro das Relações Exteriores da Espanha destacou que ver países como a Itália — que, segundo ele, “acendeu o pavio” — afirmarem que é preciso “expulsar” a Espanha do espaço Schengen é muito “frustrante”. Ao mesmo tempo, lamentou que “a demagogia populista” se sobreponha “ao Estado de Direito” e que “a solidariedade entre os Estados-membros da União Europeia seja substituída pela crítica ao governo”.
A ESPANHA SEMPRE AJUDOU OS OUTROS
Além disso, ele repreendeu a Dinamarca pela falta de solidariedade quando, em sua opinião, “a Espanha sempre prestou ajuda em questões migratórias e na defesa do território”, referindo-se ao conflito com os Estados Unidos pela soberania da Groenlândia, no qual o governo de Pedro Sánchez foi um dos que “enfrentaram” o presidente norte-americano, Donald Trump.
Por outro lado, o ex-Alto Representante da União Europeia defendeu a postura dos governos da França, de Portugal e da Irlanda, que apoiaram o Executivo espanhol na gestão da crise migratória de Ceuta.
Nesse contexto, o ex-ministro repreendeu os países europeus mais críticos em relação à Espanha por sua falta de “solidariedade” diante de “um país que sofreu um ataque híbrido”.
“Não é o primeiro ataque híbrido que vejo, que se aproveita do desespero das pessoas, prometendo-lhes que é possível atravessar”, afirmou Borrell, referindo-se à entrada em massa de migrantes pela costa de Ceuta no mês de julho. Ele também defendeu que a situação não pode ser resolvida sem a colaboração de Marrocos, país cuja relação deverá ser analisada posteriormente. “Agora, o importante é atender àqueles que estão em Ceuta”, concluiu.
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