Kike Rincón - Europa Press
Defende a reforma do princípio da unanimidade na UE e a criação de "uma União dentro da União"
L'HOSPITALET DE LLOBREGAT (BARCELONA), 18 (EUROPA PRESS)
O presidente do Cidob e ex-alto representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borell, defendeu neste sábado que a UE se fortaleça de forma mais coordenada e comunitária: “Temos que nos fortalecer mais porque nos enfraquecemos”.
Em sua intervenção na Global Progressive Mobilisation (GPM) na Fira de Barcelona Gran Via, em L'Hospitalet de Llobregat, ele sustentou que a defesa deveria ser considerada “um bem público, assim como a educação ou a saúde”.
“ÉRAMOS FELIZES” COMO PROTETORADO
Ele afirmou que, durante muitos anos, a defesa era vista como algo desnecessário e não prioritário, porque a Europa estava sob a proteção dos Estados Unidos e da OTAN: “Éramos felizes sendo isso, um protetorado militar. Continuamos sendo. Agora, porém, o guarda-chuva protetor pode não abrir quando chover”.
Borrell defendeu que a UE comece a pensar em um guarda-chuva de defesa próprio, com suas próprias capacidades, e acrescentou que falar da Europa da defesa é “algo mais do que a soma das defesas dos Estados-membros”.
DOIS TIPOS DE PAÍSES
Para ele, existem duas categorias de países: os “servos felizes” que acreditam que a defesa deve ser articulada no seio da OTAN e aqueles que, como a Espanha, pensam que não podem ser realmente independentes sem capacidades militares próprias, compartilhadas no âmbito da União.
Ele também defendeu a posição do governo espanhol de “dizer a Trump que não é necessário gastar 5%” em defesa, já que considera que essa é uma variável arbitrária, e acrescentou que o que a Espanha deve fazer é cumprir seus compromissos com a OTAN, medindo-os através do “output” e não do “input”, acrescentou.
Borrell também se mostrou favorável à reforma dos processos de tomada de decisão por unanimidade na UE e comemorou que a presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, tenha percebido “que essa questão da unanimidade era muito ruim, porque era muito difícil de aplicar”.
“O problema é que, para abandonar a unanimidade, é necessária a unanimidade”, lamentou Borrell, que garantiu que a UE foi criada para promover a paz entre os europeus, mas não foi concebida para o mundo atual, para enfrentar agressões militares, na Ucrânia e no Oriente Médio.
Ele afirmou que a UE também deve se adaptar a essa situação e, para isso, deve-se começar a trabalhar nessa Europa da defesa, em “uma União dentro da União, onde nem todos estariam, nem todos precisariam estar, e aqueles que estivessem aceitariam renunciar ao princípio da unanimidade”.
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