Publicado 30/07/2025 08:00

Borrell critica o "resultado ruim" do acordo com os EUA na disputa tarifária: "A Europa está enfraquecida".

Archivo - Arquivo - O ex-Alto Representante da União Europeia para Assuntos Externos e Política de Segurança e Vice-Presidente da Comissão Europeia, Josep Borrell, participa do Congresso Anual da Associação Espanhola de Energia Eólica (AEE), no NH Collect
A. Pérez Meca - Europa Press - Archivo

BRUXELAS 30 jul. (EUROPA PRESS) -

O ex-alto representante da UE para Política Externa, Josep Borrell, criticou nesta quarta-feira o "mau resultado" alcançado pela Comissão Europeia em suas negociações com os Estados Unidos para um acordo para encerrar a disputa tarifária, dizendo que a UE teve uma estratégia "ruim" ao "apaziguar e bajular" Donald Trump e que sai do acordo "geopoliticamente enfraquecida".

O acordo fechado no domingo entre a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabelece uma tarifa geral de 15% sobre as importações europeias, sem medidas recíprocas por parte da UE.

"Uma estratégia ruim leva a um resultado ruim. A Comissão preferiu apaziguar e bajular Trump concordando em comprar mais armas e gás, sobre os quais não tem competência, e tarifas unilaterais", disse ela em uma postagem na mídia social na qual criticou a postura de Bruxelas em relação às ameaças tarifárias de Trump que resultaram em um acordo final no qual a UE recebe sobretaxas de 15% em troca de evitar uma guerra comercial com Washington.

Na opinião de Borrell, o bloco europeu sai "geopoliticamente enfraquecido" do pacto, que ele também critica por ter sido concluído "em uma hora em um campo de golfe", em referência à viagem de Von der Leyen à Escócia para selar o acordo em um campo de golfe na cidade de Turnberry, de propriedade do magnata norte-americano.

O acordo, que será finalizado em um comunicado conjunto e não será juridicamente vinculativo, também inclui compromissos de compras de energia no valor de US$ 750 bilhões, bem como a intenção de fazer investimentos de US$ 600 bilhões durante o restante do mandato do presidente dos EUA.

O pacto com os EUA atraiu críticas de dentro da UE, sendo o primeiro-ministro francês François Bayrou o líder mais crítico, dizendo que a UE está "se submetendo" a Washington com um pacto que representa um "dia negro".

A ex-comissária de comércio da UE durante o primeiro mandato de Trump, a social-democrata sueca Cecilia Malmström, denunciou que a UE está em uma situação "muito pior" com esse acordo e lamentou que Bruxelas deveria ter sido "mais rigorosa" em sua abordagem de negociação, duvidando que a Casa Branca vá mesmo cumprir esse acordo.

De qualquer forma, os líderes europeus aceitaram de forma esmagadora o acordo comercial com os Estados Unidos como uma etapa necessária para estabilizar a situação econômica e consolidar a cooperação com Washington. No caso do primeiro-ministro Pedro Sánchez, ele declarou que apóia o acordo comercial "sem nenhum entusiasmo".

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