BARCELONA, 11 abr. (EUROPA PRESS) -
O presidente do Cidob e ex-alto representante da União Europeia para a Política Externa, Josep Borell, afirmou neste sábado que, se a União Europeia (UE) criar um exército comum, dará “um grande passo à frente na integração política”, e acrescentou que este é o momento para aumentar essa integração.
Foi o que ele declarou na abertura do evento “War and Peace in the 21st Century. Defending Europe without the United States? The future of the European security", organizada pelo Cidob no Palau de Pedralbes, em Barcelona, juntamente com o secretário de Estado para a União Europeia e Ação Externa da Generalitat, Jaume Duch, e que será encerrada pelo prefeito de Barcelona, Jaume Collboni, e pelo diretor do Cidob, Pol Morillas.
Borrell referiu-se assim à possibilidade de um exército europeu depois que, nesta sexta-feira, o presidente do Governo, Pedro Sánchez, afirmou que a Espanha está preparada para avançar rumo a um exército comum na União, algo que, segundo Borrell, conta com grande apoio da opinião pública na UE, embora essa não seja a posição dos líderes dos Estados, pois “sabem que o exército é o último recurso da soberania”.
“Será que a defesa é a força motriz, tal como o foi a moeda, o euro, há 20 anos, ou há mais de 20 anos? Essa é a questão”, afirmou sobre a integração europeia.
ESTADOS UNIDOS
Sobre a posição geopolítica dos Estados Unidos e a administração do presidente Donald Trump, ele sustentou que a OTAN “sofreu um enfraquecimento interno sem precedentes devido à agressividade do presidente Trump em relação a alguns de seus aliados”.
Nesse sentido, ele fez referência à guerra no Irã e no Oriente Médio e lembrou que não é o primeiro conflito em que alguns países europeus rejeitam uma ofensiva americana no exterior, como a invasão do Iraque em 2003, e acrescentou que a posição atual de Trump obriga os europeus a pensar em sua própria defesa.
“Vivemos há muito tempo sob o guarda-chuva americano. E alguns de nós, alguns europeus, gostaríamos muito de continuar vivendo sob o guarda-chuva americano. Desde que o guarda-chuva esteja aberto”, afirmou.
DESAFIO “EXISTENCIAL”
Nesse sentido, ele garantiu que a Europa tem pela frente um desafio que não é apenas técnico ou financeiro, mas “existencial, político e cultural”; por isso, ressalta, a Europa não pode se dar ao luxo de permanecer vulnerável ou excessivamente dependente.
Ele disse que essa mudança nas relações transatlânticas representa uma “mudança radical” no cenário político e acrescentou que, atualmente, há sérias dúvidas quanto à credibilidade da OTAN.
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