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Critica a expansão da guerra no Líbano e denuncia que Israel está fazendo “mais ou menos o mesmo que em Gaza” MADRID 13 mar. (EUROPA PRESS) -
O ex-Alto Representante para Assuntos Externos da União Europeia e ex-ministro socialista, Josep Borrell, acredita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não avaliou “bem” as consequências da guerra com o Irã, em um conflito que, segundo ele alertou, pode paralisar o fornecimento de petróleo e deixar os países do Golfo sem alimentos, devido a um possível “fechamento” do estreito de Ormuz.
“Não sei quais foram seus cálculos, mas provavelmente ele não avaliou bem as consequências dessa guerra”, afirmou sobre Trump em declarações à imprensa após sua participação no fórum ‘A nova (des)ordem mundial’, organizado nesta sexta-feira em Madri pela escola Next Educación.
Borrell referiu-se à situação no Estreito de Ormuz, onde o transporte marítimo foi drasticamente reduzido em consequência dos ataques iranianos aos navios que atravessam essa passagem estratégica, no âmbito das represálias iranianas pela ofensiva lançada contra a República Islâmica no último dia 28 de fevereiro.
O ex-chefe da diplomacia europeia indicou que não sabe se o Irã tem capacidade para mobilizar os recursos militares necessários para o fechamento de Ormuz, um cenário que, espera ele, não venha a ocorrer, já que deixaria os países do Golfo sem alimentos. “80% dos alimentos que eles consomem entram por esse ponto”, indicou.
Nesse sentido, ele criticou as declarações “cínicas” nas redes sociais do presidente dos Estados Unidos, que se gabava nesta quinta-feira de que seu país ganha muito dinheiro com a alta dos preços do petróleo. “Quando os preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro”, disse Trump. ISRAEL FAZ NO LÍBANO “MAIS OU MENOS O MESMO QUE EM GAZA”
Sobre a extensão do conflito no Oriente Médio, Borrell referiu-se à situação no Líbano, onde o Exército israelense lançou uma ofensiva militar em resposta ao lançamento de projéteis pelo partido-milícia xiita Hezbollah como retaliação pelo assassinato do líder supremo iraniano, o aiatolá Jamenei, e afirmou que Israel está fazendo naquele país “mais ou menos o mesmo que em Gaza”. “Em Gaza, eles destruíram tudo, mas já faz alguns anos”, assegurou, acrescentando depois que não houve “nenhuma graduação” na resposta militar israelense contra o enclave palestino nem contra o Líbano, onde a intensidade dos bombardeios “é tremenda”.
A RESPOSTA DA UNIÃO EUROPEIA Borrell analisou a resposta da União Europeia ao “imperialismo” de Washington, mostrando-se especialmente crítico com a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, por suas declarações em matéria de política externa, competências que, como ele lembrou, não lhe cabem de acordo com os tratados da União.
“Eles deveriam tê-la nomeado Alta Representante, que parece ser o que ela gosta”, ironizou o ex-chefe da diplomacia do bloco.
De qualquer forma, ele classificou algumas posições como “muito condescendentes” com Trump, devido ao receio de alguns líderes da UE de que Washington corte a ajuda à Ucrânia no contexto da guerra iniciada pela Rússia, conflito que ele considera “estagnado”.
Sobre este assunto, ele destacou que o presidente do Governo espanhol, Pedro Sánchez, demonstrou “uma extraordinária coerência com suas posições” ao se recusar a permitir que o Exército dos Estados Unidos utilizasse as bases espanholas na guerra contra o Irã.
Assim, ele admitiu que a Espanha rompe a unidade existente na UE no que se refere às posições sobre Israel e os Estados Unidos, da mesma forma que o governo húngaro faz em relação à Rússia, mas ressaltou que é “injusto” comparar esses dois casos, pois a Espanha é o país “mais europeísta” que existe.
O ex-Alto Representante vê nesses exemplos um reflexo da dificuldade de encontrar posições comuns na Europa, que, no entanto, ele não considera ser a região mais fragmentada do mundo. Ele apontou para a América Latina, onde as diferenças ideológicas entre os governos e a instabilidade interna dos Estados dificultam sua inserção nos circuitos internacionais.
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