Mariana Greif / Zuma Press / Europa Press
MADRID, 5 (EUROPA PRESS)
Os candidatos à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro (Partido Liberal, PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (Partido dos Trabalhadores, PT), trocaram duras acusações em seus primeiros discursos após a confirmação de que disputarão o segundo turno no próximo dia 25 de outubro. As intervenções de ambos os líderes anteciparam uma campanha de alta polarização, na qual o líder conservador ergueu a bandeira da “mudança” contra a esquerda, enquanto o atual presidente apresentou seu projeto como o único garante da estabilidade diante das ligações “obscuras” da família Bolsonaro.
Em sua aparição pública após obter 47,03% dos votos, Flávio Bolsonaro agradeceu o apoio de mais de 56 milhões de brasileiros que, em sua opinião, não se abstiveram porque anseiam por uma transformação profunda. “A palavra é mudança, o Brasil não aguenta mais (...). Está decretado o fim da era do PT”, proclamou o candidato do Partido Liberal, que acusou a formação progressista de deixar como único legado um “recorde de mulheres assassinadas, brasileiros endividados, impostos altos, desesperança e empresas fechadas”.
Para esta nova etapa, Bolsonaro prometeu formar um “governo moderno com menos ministérios” e lançou uma advertência direta ao Poder Judiciário, pois garantiu que indicará pelo menos quatro juízes para o Supremo Tribunal Federal que “não tentem interferir nas eleições”. Nessa linha, ele acusou Lula de ter gasto “mais de 350 bilhões de reais (59,7 milhões de euros) para tentar derrotar a democracia”.
O líder de extrema direita concentrou grande parte de seu ataque na figura de seu rival, a quem repreendeu por estar apenas “preocupado com o poder”, após ter se candidatado a sete eleições presidenciais. Diante disso, Bolsonaro garantiu ser o único candidato que assume o compromisso de “acabar com a reeleição”, argumentando que precisa apenas de “um mandato” para colocar o povo no centro de suas políticas e resolver os problemas reais do país.
Por sua vez, Lula da Silva (45,15% dos votos) admitiu abertamente que estava “convencido” de vencer no primeiro turno. Longe de parecer desanimado, ele ironizou, observando que “o povo gosta” que ele dispute o segundo turno. “Sou muito bom nas eliminatórias, no confronto direto”, afirmou, definindo essa nova fase como “a hora da verdade” para evidenciar as diferenças entre os dois modelos de país.
O atual presidente contrapôs seus doze anos de políticas de inclusão social e a experiência de seu vice-presidente, Geraldo Alckmin, no governo do estado de São Paulo, a um adversário que, em sua opinião, não oferece um horizonte promissor. Lula lançou duras acusações contra a “biografia sombria” do círculo de seu adversário, denunciando “suspeitas gravíssimas” e ligações com “o crime organizado, os assassinatos no Rio de Janeiro” e o caso de corrupção do Banco Master, alertando que “tudo isso ficará claro” nas próximas três semanas.
Quanto às propostas, o líder progressista prometeu um forte investimento na rede de institutos federais e universidades, bem como a universalização do auxílio financeiro aos estudantes e a implantação de escolas em tempo integral em todo o território. Além disso, destacou o plano de reindustrialização dotado de quase 725 bilhões de reais (123,8 milhões de euros) para impulsionar a produção nacional, com ênfase especial na indústria farmacêutica e no Sistema Único de Saúde (SUS).
Diante das críticas à sua gestão econômica, Lula reivindicou sua “autoridade moral”, lembrando que, durante seus primeiros mandatos, o Brasil foi “o único país do G20 a alcançar superávit primário” e obteve o grau de investimento internacional. Além disso, ele garantiu manter a responsabilidade fiscal sem aplicar cortes “capazes de prejudicar as pessoas pobres” e concluiu sua intervenção com um apelo direto aos mais de 33 milhões de eleitores que se abstiveram. “A disputa está apenas começando, estamos na prorrogação”, afirmou ele, instando à mobilização em massa para conter os “bolsonaristas”.
Conforme detalhado no último boletim oficial, a participação neste primeiro turno ficou em 78,92%, com 1,84% de votos em branco e 2,93% de votos nulos. No Brasil, o direito ao voto é opcional a partir dos 16 anos e obrigatório para os cidadãos entre 18 e 70 anos.
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