Publicado 22/05/2026 22:29

A Bolívia nega que haja uma crise de governo e anuncia um corredor humanitário diante dos bloqueios em La Paz

Archivo - Arquivo - 20 de junho de 2025, São Petersburgo, Rússia: A bandeira nacional da Bolívia, tremulando ao vento em um mastro em São Petersburgo, Rússia.
Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov

O Executivo defende as mudanças no gabinete como um ajuste pontual e apela para que se evite a violência nos protestos

MADRID, 23 maio (EUROPA PRESS) -

O Governo da Bolívia negou nesta sexta-feira que as recentes mudanças no gabinete sejam resultado de uma crise interna e defendeu que se trata de uma reorganização pontual decidida pelo presidente do país, Rodrigo Paz, no âmbito de suas atribuições constitucionais.

Foi o que defendeu o porta-voz presidencial, José Luis Gálvez, durante uma coletiva de imprensa na qual ele destacou, além disso, que as últimas modificações no seio do Executivo respondem a uma decisão exclusiva do chefe de Estado e se enquadram em uma nova etapa de seu governo. “Isso é feito em função das necessidades que o presidente tem nesta nova etapa do governo”, defendeu ele em declarações coletadas pela Agência Boliviana de Notícias (ABI).

Gálvez insistiu que a Constituição boliviana confere ao presidente o poder de nomear e reorganizar seus ministros e se empenhou em descartar uma “crise ministerial” no Executivo.

O porta-voz manifestou, ainda, a preocupação do governo com os episódios de violência registrados durante as mobilizações dos últimos dias e reivindicou o papel da mídia como garantidora do direito à informação dos cidadãos.

Na mesma linha, destacou também a atuação das forças de segurança diante dos protestos e denunciou que vários agentes ficaram feridos durante as operações de contenção dos mesmos.

“Temos policiais feridos, alguns hospitalizados, e precisamos que a população saiba que se trata de um trabalho muito profissional, respeitando os Direitos Humanos e insistindo na contenção para não gerar mais violência, mas que tem um alto custo para nossa Polícia e para a sociedade”, afirmou.

Nesse contexto, Gálvez pediu aos cidadãos — especialmente aos setores críticos ao governo — que evitem recorrer a atos violentos contra policiais e civis, considerando que “essa não é uma opção democrática em nenhum dos termos”.

O porta-voz também destacou as manifestações realizadas em diferentes pontos do país em apoio ao sistema democrático, à ordem constitucional e ao Governo de Paz.

“Testemunhamos manifestações em todos os departamentos, incluindo La Paz, que mostram que a imensa maioria dos bolivianos repudia toda forma de violência e aposta no pleno exercício da democracia”, comemorou, ao mesmo tempo em que agradeceu o compromisso democrático demonstrado pela população.

Por outro lado, o Executivo anunciou a implementação — a partir deste sábado — de um corredor humanitário identificado com bandeiras brancas para facilitar a entrada de alimentos, medicamentos, oxigênio e outros suprimentos essenciais nas cidades de La Paz e El Alto, afetadas pelos bloqueios.

Por fim, o governo reiterou seu apelo ao diálogo e informou que convocou para este domingo, 24 de maio, a Federação dos Trabalhadores Rurais “Túpac Katari”, além de anunciar a realização de um Conselho Nacional e Econômico previsto para quarta-feira, 27 de maio.

Manifestações e bloqueios marcaram as últimas semanas neste país andino, embora a Polícia boliviana tenha anunciado que conseguiu habilitar um corredor para liberar pelo menos 70 caminhões-tanque carregados com gasolina e diesel que estavam retidos na usina da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) em Senkata, em El Alto, e que servirão para distribuir combustível aos postos de gasolina de La Paz e El Alto, conforme noticiado pelo jornal boliviano 'La Razón'.

Os protestos continuam marcando a atualidade sociopolítica da Bolívia, onde indígenas, camponeses e sindicalistas chegaram a cercar La Paz para exigir a renúncia do presidente, Rodrigo Paz, em meio a uma conjuntura que já registra quatro mortes e mais de uma centena de detidos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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