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MADRID 9 jun. (EUROPA PRESS) -
O novo ministro da Defesa da Bolívia, Ernesto Justiniano, afirmou nesta terça-feira que a resposta do Estado aos bloqueios, que afetam o país há mais de um mês, estará em conformidade com a legalidade, enquanto as Forças Armadas agirão com “serenidade”, um dia após o presidente Rodrigo Paz ter promulgado a lei que regulamenta o estado de exceção.
“Diante daqueles que buscam transformar o medo em método político, o Estado agirá dentro da legalidade; diante daqueles que tentarem subjugar o país por meio da violência, agirá com firmeza; e diante daqueles que pretenderem quebrar a ordem democrática, as Forças Armadas cumprirão sua missão constitucional com disciplina, serenidade e patriotismo", afirmou durante um evento no qual recebeu uma condecoração por mérito militar.
Justiniano garantiu que “esta não será uma resposta improvisada, será uma resposta institucional, democrática e do Estado”, em uma mensagem dirigida àqueles que “passaram do bloqueio à violência, da pedra à bala e agora pretendem utilizar métodos de terror, movimentos de rebelião e ações de sedição para impor à força o que não conseguem obter pela via democrática”.
Nesse sentido, descartou que os bloqueios e protestos iniciados há já 40 dias contra as políticas do presidente Paz sejam vistos como um conflito interno, reiterando a ideia do Executivo boliviano de que por trás deles “há componentes transnacionais, financiamentos obscuros, interesses criminosos e estruturas ligadas ao narcotráfico que buscam enfraquecer o Estado, fragmentar a convivência democrática e subjugar a população por meio do medo”.
“É preciso dizer com clareza: o protesto pacífico é um direito, a violência é um crime. Nenhum interesse político, econômico ou criminoso pode estar acima da vida do povo boliviano, da Constituição e da democracia”, afirmou o ministro.
Justiniano, que assumiu a liderança do Ministério da Defesa há uma semana, defendeu ainda que “a prudência não é ausência do Estado, a contenção não é fraqueza e a vontade de diálogo não significa renunciar ao dever de proteger a Bolívia”, em resposta àqueles que reclamam que se decrete o estado de exceção como solução para os bloqueios.
Suas declarações foram feitas um dia depois de o presidente ter promulgado uma nova lei aprovada pelo Parlamento que amplia as competências para impor estados de exceção e permite o envio das Forças Armadas no contexto dos protestos que eclodiram em La Paz há já 40 dias e que vêm se espalhando para outras partes do país, com confrontos com as forças policiais e a instalação de cerca de cem bloqueios, a maioria deles em La Paz e Cochabamba, reduto político do ex-presidente Evo Morales.
A nova legislação estabelece que o estado de exceção deverá ser decretado por meio de um decreto que especifique seu alcance territorial, duração, medidas extraordinárias autorizadas e instituições responsáveis por sua execução, e determina uma vigência máxima de até 90 dias, com possibilidade de prorrogação somente mediante autorização da Câmara.
À greve por tempo indeterminado convocada pela Central Obrera Boliviana (COB), o principal sindicato do país, somaram-se os bloqueios de estradas liderados, em parte, por coletivos camponeses e rurais. Inicialmente, os manifestantes exigiam melhorias na qualidade de vida e nas condições de trabalho em seus setores, em meio à profunda crise social e econômica que vem assolando o país nos últimos anos; porém, com o passar dos dias, passaram a exigir como condição a renúncia de Paz.
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