Europa Press/Contacto/Maksim Konstantinov
MADRID 25 maio (EUROPA PRESS) -
O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, anunciou a extradição de um dos chefes da facção criminosa brasileira Primeiro Comando Capital, Marcos Roberto Almeida, vulgo 'Tuta', 52 anos, sem cumprir os procedimentos legais.
Almeida foi entregue à Polícia Federal brasileira em 18 de maio, um dia depois de ter sido preso pelas autoridades bolivianas. A entrega foi realizada de forma expressa, sem o conhecimento ou autorização do Ministério Público, apesar de o detido ter processos pendentes na Bolívia por uso de documentação falsa e acusações ligadas ao tráfico de drogas, de acordo com o jornal boliviano 'El País'.
"Essa operação é um golpe importante contra o crime organizado transnacional e reforça a coordenação eficaz entre as agências de aplicação da lei da região", disse o então ministro do governo, Eduardo Del Castillo, apenas duas horas antes de deixar o cargo para concorrer à presidência.
Mariaca explicou que Almeida já estava sendo processado na Bolívia e tinha uma audiência de medidas cautelares marcada para domingo, 19 de maio. Por esse motivo, Mariaca anunciou a abertura de investigações para apurar responsabilidades e lembrou que a polícia é obrigada a coordenar suas ações com o Ministério Público. Por todas essas razões, ele considera que o procedimento de extradição não foi realizado de acordo com o que é exigido por lei: "Após a acusação formal na manhã de domingo (19 de maio), a audiência cautelar deveria ter sido realizada", enfatizou.
"O que nos preocupa como Ministério Público - e a mim como sua autoridade máxima - é que, sem notificação prévia, sem ordem judicial e com o acusado em julgamento, foi ordenada sua transferência para outro país", lamentou.
Fontes da Interpol e da polícia boliviana afirmam que em 18 de maio foi realizada uma "expulsão" por motivos migratórios, um procedimento administrativo que geralmente consiste em escoltar o estrangeiro até a fronteira. Entretanto, esse mecanismo não deveria ter sido aplicado no caso de Almeida, que tinha uma acusação formal em vigor e deveria ser apresentado a um juiz.
O novo ministro do governo, Roberto Ríos, não respondeu ao questionamento do procurador-geral, nem deu qualquer explicação sobre a proximidade dos policiais com o suspeito. Poucos dias depois, um major da polícia foi preso sob a acusação de ter fornecido proteção a Almeida. Fontes da investigação sustentam que uma rede com ligações com o poder político poderia estar operando por trás dos policiais envolvidos.
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