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MADRID 22 jul. (EUROPA PRESS) -
O governo da Bolívia estimou em 26 o número de cidadãos bolivianos vinculados às Forças Armadas russas, sendo que 20 deles estão sob contrato ativo, enquanto quatro estão feridos e se encontram em hospitais de campanha e um faleceu, tudo isso no âmbito das investigações de La Paz sobre o suposto recrutamento de cidadãos bolivianos para serem transferidos para a Rússia, onde seriam incorporados à linha de frente na Ucrânia.
“Registramos 26 casos de cidadãos bolivianos sob acompanhamento ligados às Forças Armadas da Federação Russa. Vinte mantêm contratos ativos; 19 soldados relatados aguardam confirmação sobre sua localização atual”, informou o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Fernando Aramayo.
Na mesma declaração, o chefe da diplomacia boliviana alertou para a existência de “quatro feridos confirmados em hospitais de campanha, um deles em processo de desligamento do serviço militar”. Além disso, “há um cidadão vivo e em estado estável, um falecido e um cidadão repatriado com sucesso para a Bolívia”, acrescentou.
Após divulgar esses números, Aramayo destacou as ações diplomáticas e consulares de seu ministério, incluindo a visita de uma missão a uma área de Donetsk sob controle russo “para verificar pessoalmente a situação de um de nossos compatriotas e providenciar sua desligamento das Forças Armadas Russas”.
Ele também mencionou uma “reunião extraordinária de alto nível com o embaixador da Rússia na Bolívia, o senhor Dimitri Verchenko”, a partir da qual teria sido definida “uma rota bilateral e um canal direto de informação para dar acompanhamento prioritário a todos esses casos”.
“Naturalmente, apresentamos um conjunto de notas verbais para solicitar não apenas informações sobre a localização, mas também para prestar assistência técnica e, em alguns casos, conforme o caso, conseguir providenciar a desligamento de cidadãos bolivianos”, acrescentou.
Diante dessa situação, ele ressaltou que as investigações “estão agora nas mãos das instâncias judiciais, pois cabe a essas instâncias que as famílias apresentem uma ação que permita ao Ministério Público investigar os possíveis atos criminosos ligados a esse tipo de ação, que pode ser classificada como recrutamento ou intermediação”.
“Essa questão é de competência de outro órgão do poder e vamos respeitar sua jurisdição, pois as investigações estão em andamento e não podemos obstruir nenhum tipo de investigação neste contexto”, ressaltou.
No âmbito desse caso, a Justiça boliviana já emitiu, neste domingo, ordem de prisão preventiva contra três pessoas detidas na investigação sobre o suposto recrutamento de cidadãos bolivianos. Os três indiciados são acusados de tráfico de pessoas e permanecerão em prisão preventiva enquanto as investigações avançam.
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