Publicado 21/05/2026 02:16

A Bolívia denuncia à OEA que os protestos "ameaçam a ordem democrática"

Manifestação em La Paz para exigir a renúncia do presidente da Bolívia, Rodrigo Paz
MOVIMIENTOS SOCIALES DE BOLIVIA

A polícia abre um corredor para distribuir combustível retido em uma refinaria devido aos bloqueios

MADRID, 21 maio (EUROPA PRESS) -

A Bolívia denunciou perante o Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) que os fortes protestos e greves em La Paz e em outras partes do país contra o governo e a falta de políticas contra a crise econômica “ameaçam a ordem democrática” e violam “os direitos” dos cidadãos.

“O Estado Plurinacional da Bolívia deseja alertar, com profunda preocupação, sobre uma série de fatos que ameaçam gravemente a ordem democrática, as instituições e os direitos fundamentais do nosso povo”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Fernando Aramayo, em uma videoconferência com o Conselho.

O ministro defendeu a intervenção, alegando que “os desafios que afetam a estabilidade institucional de um Estado-membro merecem a atenção e o acompanhamento da comunidade interamericana”. De fato, no final de sua intervenção, ele solicitou uma missão internacional de embaixadores da OEA para verificar a situação política e social da Bolívia.

Quanto a isso, Aramayo assegurou que as manifestações “excedem o exercício legítimo do protesto social e político” e visam “gerar desestabilização institucional, enfraquecimento do governo e alteração da ordem democrática”, ao passo que, por outro lado, defendeu que o Executivo boliviano “reconhece e respeita plenamente o direito ao protesto pacífico, à liberdade de expressão e à participação política, pilares de toda sociedade democrática e valores fundamentais do sistema”.

Da mesma forma, o ministro criticou especialmente os bloqueios de estradas, sustentando que as dificuldades na circulação afetam o abastecimento de alimentos, combustíveis, oxigênio e medicamentos, entre outros, e representam uma “violação deliberada dos direitos” dos bolivianos.

A COMUNIDADE ANDINA MANIFESTA “PREOCUPAÇÃO”

No plano internacional, a Comunidade Andina (CAN) expressou sua “preocupação com a situação política e social” de seu Estado-membro, instando para que “as diferenças existentes sejam canalizadas dentro do marco constitucional e democrático”.

“A Presidência Pro Tempore (ocupada pelo Equador) e a Secretaria-Geral consideram fundamental que a conjuntura atual seja abordada por meio de um diálogo político construtivo, amplo e pacífico, que permita gerar consensos e preservar a estabilidade institucional, no pleno respeito ao Estado de Direito e às autoridades democraticamente eleitas”, destacou a organização em um comunicado.

Especificamente, a CAN também manifestou preocupação com as “ações e fatos que vêm gerando perturbações no normal desenvolvimento da vida institucional e na prestação de serviços essenciais na Bolívia, em um contexto que exige responsabilidade, cautela e adesão irrestrita aos canais democráticos e constitucionais”. Nesse sentido, fez um apelo a todas as partes para que "ajam com responsabilidade e prudência, privilegiando o entendimento, a cooperação e os mecanismos institucionais democráticos para superar a conjuntura atual".

Manifestações e bloqueios marcaram as últimas semanas neste país andino, embora a Polícia boliviana tenha anunciado que conseguiu habilitar um corredor para liberar pelo menos 70 caminhões-tanque carregados com gasolina e diesel que estavam retidos na planta da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB) em Senkata, em El Alto, e que servirão para distribuir combustível aos postos de gasolina de La Paz e El Alto, conforme noticiado pelo jornal boliviano 'La Razón'.

Os protestos continuam marcando a atualidade sociopolítica da Bolívia, onde indígenas, camponeses e sindicalistas chegaram a cercar La Paz para exigir a renúncia do presidente, Rodrigo Paz, em meio a uma conjuntura que já registra quatro mortes e mais de uma centena de detidos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado